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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

25
Jun17

Benavente e os touros de fogo

Por razões menos nobres Benavente é uma vila que circula nas bocas dos portugueses por estas horas. Tudo por um costume importado de Espanha, que passa pela colocação coerciva de fogos nos chifres dos touros em arruada. A cultura taurina imprime sentido às festividades ribatejanas, onde todos os motivos são bons para uma largada, funcionando como produto e produtora de sociabilidades, alinhando gerações e estratos sociais em torno de uma tradição, mesmo que, como todas, inventada.
"A Festa" é um elemento estruturante benaventense, representando o lúdico a partir de elementos da vida local, e o trabalho, experimentando novos significados nos seus próprios elementos constitutivos. Nessa dinâmica impõe-se a revisão dos elementos eventualmente nocivos à sua imagem pública (punindo exemplarmente transgressões), respeitando opiniões contrárias e sabendo defender os seus costumes com seriedade.

21
Jun17

125 Azul

 

"Foi sem mais nem menos que um dia selei a 125 Azul", assim diz a canção dos Trovante com que cresci, cruzando essa estrada, rumo ao Verão da Costa Alentejana, onde fui imprimindo memórias, camadas de recordações e vivências, da infância à idade adulta. E com a soma dos dias visitou-me o desejo de "sem mais nem menos" selar a 125 azul, assim, no repente do instante. E foi ontem, na celebração dos afetos de 15 anos, o peso de um tempo que não senti, que fui levado, nas correias dos amores, até ao coração das lembranças, aos cheiros, à brisa que da água sobe, aos sons, aos lugares que se mutaram e aos que se mantiveram, e é assim que a vida tem mais cor, que vai para além da soma dos dias e se faz sentir. E não resta a quem vive senão agradecer a quem faz viver. 

 

{fotografia de Sandra Fialho}

19
Jun17

Bombeiros, heróis, nada menos do que isso

 Nos Estados Unidos existe, justamente, uma valorização particular dos bombeiros, considerados "os melhores" da sociedade. Trata-se de um reconhecimento perante um trabalho de grande altruísmo, de entrega, de risco, que exige confiança no outro, no desempenho de colegas, de coragem perante um inimigo que não dá tréguas, não se cansa, não desiste, apenas consome.
Precisamos valorizar os nossos heróis, que lutam até ao cansaço contra este inimigo, que dão o corpo às chamas pelos bens dos outros, pelo bem maior de todos nós: a Natureza e a nossa segurança. Aqui na foto os bombeiros voluntários de Tondela descansam vencidos pela exaustão, porque mesmo os Super-Heróis também se esgotam.

19
Jun17

O abraço de Marcelo

Há quem condene o abraço de Marcelo ao secretário de estado da administração interna. Para mim o gesto é resultado do reconhecimento do turbilhão emocional que o SE se prestou ao passar estas 48 horas no coração da tragédia. O que Marcelo Rebelo de Sousa encontrou foi um ser humano sem chão perante a tragédia alheia. A humanidade vive dos gestos sociais, para bonecos de corda já bastaram os anos do Cavaquismo.

18
Jun17

As lágrimas não salvam Pedrógão Grande.

 Cantou Zeca Afonso que "a morte saiu à rua num dia assim". E foi. E não nos bastam as lágrimas para extinguir o fogo, não nos bastam os braços emotivos para circunscrever as chamas e extingui-las na dor e nos afetos. A mancha negra é mais do que geográfica, é o dolo dos que nada fazem, dos que são coniventes, dos que ganham dinheiro de sangue com os incêndios. São os "doidos" que saem impunes porque não há mão pesada nestas tragédias. Porque o anterior Primeiro-Ministro, é bom recordar, retirou os incêndios dos crimes prioritários de investigação, retirando-lhe qualquer legitimidade para se embandeirar por feitos governativos cujos efeitos são vividos na atual magistratura. Um tonto. Enquanto isso estamos perto das 60 vítimas mortais. Uma tragédia sem igual, uma vergonha num país burocrático, que pune quem limpa o próprio mato. Um país onde quem planta o fogo aluga os equipamentos de combate. Um país ondem faltam meios e gente para limpar as matas, mas que não faz uso de prisediários para essas tarefas. Um país lavrado todos os anos pelas chamas, mas que por um passo de mágica de amnésia parece sempre surpreso, optando, como diz o John, por olhar para o calor e as praias, num provincianismo jornalístico absurdo. 

 

{foto RTP}

13
Jun17

Jogos sem fronteiras

 

Em finais da década de 1980, inícios de 1990, os Jogos Sem Fronteiras animavam as noites do começo de Verão, já para lá da época escolar, na RTP1. Muitas vezes era preciso um grande esforço para me manter acordado para ver JSF, uma luta por vezes inglória, perdida para o cansaço da praia. Tratavam-se de jogos engraçados, muitas vezes co-apresentados por senhoras que ficavam a sorrir para a câmara, de microfone na mão, e a narrar somente os pontos. Peculiaridades à parte, os JSF ajudaram a construir uma ideia de Europa que hoje é agredida. Ao lado do Europeu de Futebol, os JSF foi o meu primeiro horizonte nesse sentimento de união geográfica e além linhas entre Portugal e a Europa.

11
Jun17

Vasco Pulido, que Valente confusão!

 Vasco Pulido Valente escreve no Observador sobre o Islão no Ocidente. E fá-lo num emaranhado mental profundo, na sapiência morna da ignorância. Ignora que o multiculturalismo pressupõe a pluralidade e não se reduz ao binómio cristãos-muçulmanos, muito menos numa ótica bons-maus. Nenhuma sociedade ocidental é produto da visão católica conservadora que Pulido Valente parece ter adotado na época da revista "O tempo e o modo". É um facto que a sua crónica apresenta argumentos válidos, coerentes com a realidade. O problema é, por um lado, a solução apresentada por VPV, e por outro a noção obtusa de «multiculturalismo» como dizendo respeito, no Ocidente, à presença do Islão. Ignora VPV que é multiculturalismo é o kizomba e a salsa, ouvidas nos bares lisboetas, o fado em Paris, a gastronomia gourmet e as múltiplas fusões de aromas e sabores, as filosofias orientais, as múltiplas formas religiosas com que os portugueses se deparam e às quais aderem de uma forma institucionalizada ou nos trilhos da «Nova Era». A menos que VPV encerre uma sociedade dentro de si mesma, fechando as suas fronteiras, e fundamentalizando-a - coisa que parece condenar - o «multiculturalismo» será, sempre, marca d'água da construção do tecido social urbano e não apenas. Mas eventualmente VPV acredita que todos os portugueses são católicos, escutam apenas música portuguesa e comem apenas a comida das nossas avós. 

09
Jun17

Política como profissão

Quando se ouve dizer que se está na política apenas por serviço ao país torço o nariz. Atitudes como a de Theresa May comprovam o meu desdém. Mais valia assumir que fazendo da política profissão se deseja, também, contribuir para o país. Ninguém vai para uma empresa porque a quer ver melhor, vai porque será o seu emprego, e no cumprimento do mesmo se deseja ter um contributo válido. Theresa May não abandona o cargo, como prometeu, não por acreditar que ela seja a melhor solução, mas porque não quer perder o emprego.

 

08
Jun17

No Flowers in May

Os ingleses mais velhos e os inadaptados à globalização deram o seu aval ao projeto isolacionista inglês, depositando, novamente, o poder nas mãos de Theresa May. Teremos um reforço do anti-europeísmo britânico e um namorico com o descompassado ocupante da Casa Branca. O resultado era previsível, uma vez que os efeitos do brexit ainda não se tinham feito sentir e os ataques terroristas deram o input final. O resto é história, e esta repete-se.

05
Jun17

O Combate ao Terrorismo

"Conhecido das autoridades", assim são descritos, invariavelmente, os autores dos ataques terroristas. Na base estão denúncias à linha de combate ao terrorismo da polícia britânica. O dedo é sempre apontado: as autoridades, avisadas, de dentro da comunidade islâmica, nada fizeram. Esta situação coloca-nos num cenário delicado, em que as autoridades não têm competência para atuar com base em comportamentos tendenciais, apenas podendo agir perante atos, ou seja, depois do atentado ou tentativa de atentado. Como combater, então, este problema? A solução mais óbvia, apresentada pela extrema-direita europeia é a expulsão dos muçulmanos da Europa. A Esquerda contesta, e bem, que esta medida se baseia na violação dos direitos humanos, da salvaguarda do direito à mobilidade, do dever da integração e das mais-valias do multiculturalismo. Ficamos, portanto, num impasse. Ou não. Correndo o risco de ofender as "religiões do Livro", baseadas num princípio de detenção da verdade e de intenções prosélitas, seja a "boa nova", seja a "verdadeira doutrina", parece possível atuar preventiva se o proselitismo fosse proibido. Naturalmente que o primeiro pensamento que ocorre é que tal medida condiciona a liberdade religiosa. Mas não o faz. Visto de outro prisma, a proibição do proselitismo é, em primeiro lugar, o garante do direito de consciência e o fim da legitimação de discursos de «autenticidade religiosa», assegurando o direito aos cidadãos de não serem abordados com a tentativa de conversão religiosa. Que impacto isto tem no radicalismo islâmico no Ocidente? Não resolvendo o problema, permite que tentativas de sedução para a causa sejam alvo de punição legal, particularmente se a proibição do proselitismo for associada a correntes fundamentalistas. Ora, sabendo que o Islão não é uma religião de abordagem direta de conversão, será mais fácil mapear atividades proto-terroristas pela via do proselitismo. 

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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