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A Morada dos Dias

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

O som do apito

O futebol português está em polvorosa por causa de um punhado de erros de arbitragem empolados pelo status dos clubes prejudicados. Vejamos as coisas de outra forma: uma expulsão injustificada ou um penalty fantasma determinam o rumo de um jogo? Claro que sim, na mesma proporção que uma falha de marcação que deixa um jogador sozinho na grande área e permite o golo adversário, ou na mesma que um passe mal executado que entrega a bola ao adversário, ou uma má opção tática. Vemos, pois, permanentes erros de mais de 20 homens em cada jogo, mas o olhar recai sobre o juiz, aquele solitário que avalia em segundos o acontecimento duvidoso. 
Obviamente que há arbitragens condicionadas e muitos interesses. Mas colocar a eliminação do FCP e do SCP sobre os ombros dos árbitros é sacudir a água da capota dos jogadores e treinadores. Pior mesmo só o amuo de Bruno de Carvalho ao chamar de volta Gauld e Geraldes. 
Posto isto, vamos olhar para coisas mais sérias que o futebol.

Dos direitos dos idosos

A criminalização do abandono de idosos acarreta um problema de difícil solução, ao mexer com histórias familiares. Por isso vale bem perguntar se todos os filhos têm o dever moral (primeiro que legal) de prestarem assistência aos seus pais. Vejamos duas histórias ficcionais que arrumam a questão. 
A) O senhor Artur dedicou a sua vida à família, trabalhando de sol a sol, até para além do que a força lho permitia, dando o máximo conforto e oportunidades que lhe foi possível aos seus 3 filhos, hoje todos formados e bem empregados. Nos seus 75 anos, com visitas inoportunas do Alzheimer, passa os dias no jardim, sozinho, desde que Maria Augusta faleceu. Jacinta há anos que não lhe visita ou telefona. Tem netos que nunca lhes viu o rosto ou sentou ao colo. Sente-se traído, depois de uma vida em prol dos seus.
B) Mário tem 68 anos. Trabalhou nas obras e em inúmeros biscates que vieram e foram. Acompanhou-se sempre do álcool, fiel amigo. Casou-se com Odete porque esta engravidou. Começou por se tornar violento com a mulher, depois com o filho Vítor, por fim virou-se para Margarida, a filha, violando-a sob a tutela do álcool. Hoje é um homem só, vencido pela culpa que me entregou um AVC. Os filhos e a ex-mulher não lhe falam há 20 anos. 

Estes dois cenários servem para pensar sobre os limites e os desafios do auxílio de idosos. Que dever têm os filhos do caso B? Que penalização devem ter os do caso A?

Soares é fixe

 Em fase de transição começam a aparecer os mais variados postais sobre Mário Soares. A caminho do único mal irremediável, fica a eternidade de uma figura essencial na história da Democracia portuguesa. Com todos os erros e virtudes, afinal, como diz o povo, só erra quem faz. Merece lamento as vozes extremadas à Direita, que se agitam perante a eminência da morte do homem e do político. Vícios de forma, sem remédio.