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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

30
Jul13

1984

(post recuperado de outro blogue)

 

Terminei finalmente a leitura da obra 1984 de George Orwell (pseudónimo de Eric Arthur Blair), numa velha, com gralhas e amarela edição da Unibolso, que me ofereceu o meu avô, e que curiosamente se encontra à venda online por simbólicos 5€. Escrever sobre ela não é mais do que rever tudo o que já foi dito. Mais do que a prosa, que não é notável, o que marca determinantemente este livro é a força com que nos atinge a cabeça. A sucessão de acontecimentos, toda a narrativa, está ali apenas para dar cor a uma ideia dramática, uma distopia: a suspensão das liberdades totais (incluindo a do pensamento) em nome de uma ideologia expressa num partido intemporal que dita as regras, reescreve a história e obriga a afirmar que 2+2 é igual a 5. Uma obra que nos coloca diante dos perigos dos totalitarismos ideológicos, da manipulação das massas, do culto aos líderes e que na verdade não é assim tão improvável. Ao ler 1984 ficamos um certo déjà vu que o autor faz questão de frisar - o Partido do "Grande Irmão" que governa a Oceania não é muito diferente da ditadura nazi e comunista, estas foram apenas um ensaio para a plenitude do governo patente na obra.

 

E porque a edição é clássica, vale a pena recuperar o texto da contra-capa:

 

Onde começa e onde acaba a liberdade de cada homem? As vertiginosas conquistas da ciência, o quase inacreditável progresso material, verificado no decurso deste nosso século XX, coincide com uma real libertação e dignificação da pessoa humana ? Ou erguem-se novos Senhores, novos deuses, cruéis e indiferentes, agora verdadeiramente sobre-humanos ? Londres, ano de 1984. Uma nova sociedade em marcha: o reinado da Máquin a, que tudo faz, tudo resolve e tudo prevê. O homem é dispensado de pensar. Tudo está programado. Tudo, menos a liberdade de pensar; o direito à diferença, à originalidade, à individualidade. Cada homem deve ser como todos os outros: nada mais do que uma das peças da gigantesca Máquina. Ousar o contrário significa desencadear um perioso conflito. Que - inevitavelmente e ainda bem - se desencadeia, porque a morte da liberdade representa a morte do Espírito, a morte do Homem. George Orwell escreveu um romance inesquecível e de grande qualidade, que vale à maneira de avido: ««1984»». Aliás, uma data próxima...