Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

01
Ago13

O Zimbabwe de Mugabe.

Robert Mugabe passou de ativista anti-Ian Smith, rosto de um governo de minoria branca, a chefe de um governo responsável pela destruição do tecido económico, político e social do Zimbabwe (ex-Rodésia). Em trinta e três (33) anos de (des)governação Mugabe mudou a face do país: inflação das mais elevadas do mundo (a mais elevada em 2008), abalo grotesco na esperança média de vida, passando desde 1994, nos homens dos 54 anos para os 37, e dos 57 para os 34 no caso das mulheres; o poder de compra ronda o dos anos de 1950, e a expropriação de terras agrícolas a latifundiários brancos, em 2000, trouxe graves consequências económicas, com a produção de trigo a cair das 300 mil toneladas para 50 mil, a quebra de produção afetou também os setores da exportação de tabaco e minério; com mais de 6000 depósitos de ouro e com uma capacidade de produção acima das vinte e cinco tolenadas anuais, o Zimbabwe registou, em 2006, uma produção de dez toneladas, igualando os números de 1907. Em suma, Robert Mugabe recuou o país em pelo menos meio século. O valor monetário tem perdido aplicação, e há relatos de que nas zonas rurais já se fazem trocas diretas de género. Um quilo de arroz, no país de Mugabe, custa 3160 euros. É hora de dizer basta. E não é pelas urnas que Robert Mugabe larga o poder. A lógica africana da monarquia divina mina governos como o de Mugabe. Infelizmente o paradigma tradicional só encontra operatividade em matéria de manutenção do poder, os valores éticos e comunitários que subjaz ao princípio ficaram perdidos nas areias da história.