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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

08
Ago13

O Fantasma Nazi Revisitado.

"Se eles chegassem e respeitassem as nossas leis seriam bem-vindos (...) assustam os nossos filhos com as Burkhas", Tommy Robinson.

 

Hitler faz parte do passado? Como referi noutra sede, "o esqueleto de Hitler é já pó, mas não a sua fórmula". A poeira da história jamais se apaga, espelhando-se e acumulando-se em lugares novos ou já visitados. Hoje os tempos estão negros, mesmo que o sol em Portugal ainda brilhe e nos faça relativizar certos factos. À medida que crise vai grassando, afetando as economias e as estabilidades emocionais domésticas, certas tendências extremistas fazem-se notar e sentir. Os alvos são fáceis: os emigrantes. Sucessivos governos desorganizados possibilitaram que a situação se colocasse a jeito. A proliferação emigrante e a guetização cultural [agora também para refugiados] fazem de países como Inglaterra ou França verdadeiros campos de minas. 

 

Por enquanto, felizmente, os alvos são os incapazes governos que não só não souberam antever a crise como só a notaram já em suas casas. As populações estão nas ruas, descontentes, sem esperanças, revoltados e já com um sentido agressivo face aos governos. O tempo do "deixa andar" terminou. À medida que as soluções apresentam não solucionam coisa alguma, a espiral de descontentamento aumento. As manifestações sucedem-se.

 

Todo este caldo sociológico recorda os períodos que antecederam a emergências dos movimentos e partidos populistas de extrema-direita na Europa. O nacionalismo forte começa a suar (alarmantemente) nas cabeças das pessoas, depois do projeto da moeda ter-se revelado um falhanço total, procurando equilibrar economias díspares nem integrar e centralizar politicamente os Estados. Ou a federação ou os nacionalismos isolacionistas.

 

Na região nordestina da Alemanha, uma pequena aldeia chamada de Jamel, está nas mãos dos neo-nazis outrora liderados por Sven Krüger, hoje na prisão. A poeira não se dispersou e a situação económica serve de protesto. Em Inglaterra, a English Defense League, fundada por Tommy Robinson, procura reviver a nostalgia de uma Great Britain verdadeiramente britânica, apontado o dedo aos inúmeros emigrantes islâmicos. Os velhos problemas da burkha cultural e das falácias integracionistas mantêm-se vivos. Os extremismos de parte a parte, o racismo e a sharia, conjugados com a atual crise económica e financeira, poderão recuperar lugares que queríamos enterrados na memória histórica. É preciso estar-se atento.

 

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texto adaptado; originalmente publicado em Outubro de 2012. [link]