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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

27
Set13

Saudades da Esperança.

Tendo crescido entre muros católicos alimentou-me a perceção cristã de «esperança», forjada sob leitos de um amanhã, que é no fundo o conforto da eternidade salvacionista. Mas essa era também uma esperança vendida a boca cheia mas também amiúde por professores, talvez alguns deles não muito certos da esperança como mais do que um ato de fé. Ao mesmo tempo, e é isso que agora recordo, a década de 1990 foi uma ótima década para ter crescido. A estabilidade económica, financeira e política do país (alimentado a dinheiros europeus que esquecemos que teríamos que prestar contas, mas adiante), estava patente nalguma prosperidade que íamos vivendo e acima de tudo na possibilidade de ter esperança. É essencialmente disso que sinto mais saudades: a incerteza do futuro regada a esperança, às possibilidades mil, o incerto sorridente. Falha-me a sensação adolescente e universitária de que no depois há a felicidade, o sucesso, as conquistas, a esperança, pois claro, de que vai valer a pena. Hoje tudo parece como um pós-sonho: um país em ruínas, um tecido social rasgado ao vento, a esperança como uma palavra registada num dicionário atirado ao lixo.