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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

30
Set13

Uma leitura autárquica.

Terminou o período de euforia política. A partir de hoje os portugueses voltam a ter o mesmo valor que sempre têm fora de períodos eleitorais. Os resultados devem ser balizados mas não exacerbados. A derrota clara do PSD e a vitória forte do PS não devem ser tomadas apenas nessas exatas dimensões. A política autárquica é fortemente marcada pelas identidades individuais em desfavor das partidárias - conhecem-se mais os candidatos do que se reconhecem as cores políticas. Não obstante, o facto do PS ter ganho a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e o PSD ter perdido sete das onze câmaras na Madeira, são dados que merecem absoluto destaque. Há, claro está, um castigo ao governo e em particular ao PSD. Não menos importante é o extraordinário crescimento do Partido da Natureza e dos Animais (PAN), liderado pelo Professor universitário Paulo Borges e a vitória de Rui Moreira no Porto, entregando os destinos da cidade Invicta a um independente pela primeira vez na história. Há, ainda que ténues, sinais de um cansaço partidário, embora a lógica do rotativismo faça ainda caminho. Destaque ainda para a CDU que ganha novas câmaras e mantém outras, numa tendência própria de períodos conturbados em que a esquerda vermelha surge como alternativa popular. O Bloco de Esquerda (BE) perde a única câmara que tinha (Salvaterra de Magos) e não consegue eleger João Semedo em Lisboa, revelando-se um partido ineficaz depois da saída de Francisco Louçã, ficando-se cada vez mais como um partido de protesto nas ruas. António Costa, a par de Rui Moreira, é o grande vencedor da noite, reforçando a hegemonia em Lisboa e afirmando-se claramente como o político português mais popular nos tempos que correm. Uma nota final para a abstenção altíssima (cerca de 48%) que sendo uma tomada de posição não tem consequências políticas. O desinteresse e a descrença na classe política tem estes efeitos. Resta contudo recordar que os políticos são um reflexo da sociedade de onde emergem.

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