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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

03
Out13

O curioso caso do BE.

O Bloco de Esquerda (BE) é um dos mais curiosos casos da política portuguesa. Para além da extraordinária longevidade do PCP, sobrevivendo muito para além do Estado Novo e mantendo um papel de vigilante do poder (ao qual se junta um crescimento de salientar em matéria autárquica), a unipessoalidade do CDS-PP, ou a estranha existência do PEV, o BE representa um «estudo-de-caso» a explorar. Com uma base militante inexpressiva, certamente pouco superior ao PAN ou PNR, a força mediática do BE é incontestável. A forma como se vai associando aos mais significativos protestos públicos e o poder retórico do ex-líder Francisco Louçã, fizeram do BE um partido com um poder simbólico superior à sua real dimensão sociológica. Todavia, a saída de nomes como Daniel Oliveira, Fernando Rosas, Joana Amaral Dias e a retirada da liderança de Louçã, conduziram o partido de volta ao seu lugar. Os resultados das Autárquicas do domingo passado são, pois, espelho disso mesmo. A dupla João Semedo-Catarina Martins está longe de gerar o impacto público de Francisco Louçã, ao mesmo tempo que a forma do BE fazer política: altamente voltada para as ruas, para os gritos e protestos, para a oposição e para o mau aproveitamento das possibilidades de ação por dentro do sistema; conduzem o partido a uma falência rápida. Ademais, uma coordenação que depois de catastróficos resultados nas Autárquicas exige a demissão do governo (o BE e o PSD foram os grandes derrotados das eleições) mas que afirma as condições para manter a atual direção peca por coerência. Não que isso na política tenha um preço, mas é sintomático de uma forma de ver a mesma.