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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

23
Abr13

Miguel Gonçalves: one-man show

Lembro-me de que uma das primeiras coisas que uma Professora de Marketing nos disse, nos idos tempos da licenciatura, é que no marketing político vendem-se candidatos como quem vende eletrodomésticos. A ausência de ética ou a objetivização profissional independente dos conteúdos faz da profissão um lugar de extremos, de improváveis e de lentes embaçadas. É aqui que entra Miguel Gonçalves. "Vender", "produto" e "mito" são palavras recorrentes nos discursos do embaixador do programa Impulso Jovem. Ainda que seja um exemplo de sucesso, de ambição e empenho, Miguel Gonçalves tornou-se num vendedor-político, conquistando uma áurea de autoridade que lhe permite dizer tudo aquilo que lhe vem à cabeça. É um self-made guru que se tornou perigoso ao veicular uma série de ideias tão caras a Vítor Gaspar, Passos Coelho e companhia, para depois dizer que não percebe nada de política. Se não percebe o melhor é ter cautela redobrada quando fala. Não é pelo tratamento em "tu" que se torna um tipo porreiro. Basta ver que o mesmo estranhou a saída de Miguel Relvas. A razão é simples: Relvas vendia-se bem e isso no mundo de Miguel Gonçalves é quanto-baste.

Não nego que não haja em Portugal quem não queira, simplesmente, trabalhar. É uma verdade inegável que MG soube embandeirar e destorcer a favor de um produto que lhe enche a carteira e paga as contas. Como vendedor está a ser coerente com ele mesmo. No entanto, falta-lhe, para quem quer ser um guru, a sensibilidade social. Ele está bem para o marketing e para o stand-up comedy, tem a sua graça, diz umas quantas verdades óbvias, e é one-man show. O problema é que MG é o rosto de um programa de fomento de emprego dedicado aos jovens. E do que me é dado a perceber este pretende ser o Mourinho do emprego. O problema é que Mourinho não é apenas uma pessoa que grita motivações da linha lateral. 

Entretanto, não nego a mais-valia de um programa desta natureza, mas cabe a MG compreender que somente 10 mil jovens se inscreveram no programa, havendo 161 mil no desemprego, porque este programa serve acima de tudo para alimentar de mão-de-obra barata as empresas sem qualquer garante de contrato. De estágios mal-pagos já andamos todos cheios. O que os jovens querem é trabalho, não exploração, razão pela qual emigram em massa.

 

(sugestão de leitura: a carta-aberta de JLC a MG)

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