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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

10
Out13

Happy Golden Days.

«...Here were are as in olden days, happy golden days of yore...»


Woody Allen com "Meia Noite em Paris" recorda-nos com encanto que seja qual for a geração tem num qualquer momento e lugar do passado os seus happy golden days. Insatisfeito e nostálgico, o ser humano constrói uma perceção do tempo baseado num idealismo do passado, seja a nossa infância seja ainda um período que concebemos como idílico: a Paris de 1920, da belle époque, descobrimentos, construção da América, a Florença dos Medici, enfim, lugares e momentos da História que fornecem condimentos à imaginação.

Não é fácil compreender se tal nostalgia resulta apenas do desencanto face ao presente que nos proteja num passado idílico se, em alternativa, tal cimento psicológico advém da narrativa mitológica bíblica do Jardim do Éden e da queda da humanidade. Narrativa depois transformada em composições idílicas de períodos históricos anteriores.

Seja como for, os happy golden days são apenas referenciais. Afinal, cada época que é para nós horizonte tem outra anterior como ideal. O importante neste discurso nostálgico é a motivação artística, poética, etc., que nos pode trazer. Vivermos presos ao passado não nos ajuda no presente, alheia-nos deste, o que pode ser bom durante um tempo mas o acordar do sonho pode gerar uma sensação de ressaca ainda pior. Todavia, se esse idealismo se traduzir numa vivência revivalista estética, cultural, musical, artística, etc., aí temos o passado a exercer a sua função ideal, como catalisador de mudança e renovação, requalificação e transformação.