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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

08
Nov13

Estátuas, Futebol e Erário Público.

Constando ao espaço religioso africano o uso ritual de imagens/estátuas sempre foi tomado como idolatria, não obstante na margem Ocidental o uso longue durée como objetos de adoração católica. Balizações erróneas à parte, a estatutária permanece como referencial de imortalidade, como processo de valorização cultual de determinada figura, seja religiosa seja laica. Não obstante, apesar de discordar da intervenção do FC Porto, subscrevo as críticas à participação da Câmara Municipal de Lisboa na construção de uma estátua ao fundador do SL Benfica. Não é aceitável que o erário público - provindo da totalidade dos cidadãos - seja utilizado na edificação de uma estátua que representa uma tomada de atitude pública da autarquia de Lisboa. Não apenas a CML se está a imiscuir declaradamente no futebol, como o faz tomando uma atitude de favorecimento. Que António Costa seja adepto do Benfica, enquanto cidadão, na sua individualidade, em nada temos a ver com isso; que a sua preferência se expresse no exercício de funções políticas é assunto para torcer o nariz. Por uma questão de equidade a CML deverá fazer o mesmo para o Sporting, para o Belenenses, para o Atlético, etc. 50 mil euros não fazem moça no orçamento da autarquia, mas a utilização de tais fundos - que poderiam ser afetados para ações sociais ou de outra natureza lúdico-cultural - para a construção em questão é, sem dúvida, um ato de violência simbólica e de promiscuidade. O clube em causa tem de fazer uso do seu orçamento para a construção de objetos que se identificam com a memória e a identidade próprias. Manobra perigosa de um autarca em crescendo nacional.