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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

15
Nov13

Chimamanda e Racialidade.

A excelente entrevista de Carlos Vaz Marques, no programa "Pessoal e Transmissível" da TSF, à escritora ibo-nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, autora de livros como Meio sol amarelo ou Americana, deixou-me a pensar na questão da identidade racial. Do ponto de vista da antropologia a raça é uma categoria em desuso, porquanto representa a herança de uma leitura evolucionista das sociedades. Como a autora refere, a etnicidade é algo que está bem patente na Nigéria, onde se é hauçá, yorùbá (e dentro desta uma variedade de identidades como Ijèsa, Kétu, Òyó, entre outras) ou ibo. Mas nos Estados-Unidos, sobre o qual versa o romance Americana, a questão coloca-se de forma diferente. A noção de «raça» permanece operatória. Por isso vale a pena pensar nas palavras de Chimamanda, ainda no programa da TSF, quando esta diz que "quando alguém fala de cultura quer dizer raça". Esta noção de código linguístico não é de somenos importância conquanto expõe os estereótipos subliminares, referenciais amplamente distante de uma noção académica de cultura. Não há quietude académica diante de conceitos vivos.