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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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18
Nov13

Na Esquerda, há sempre Esquerda.

A emergência do Partido de Rui Tavares, ou oficialmente o Partido Livre, corresponde ao velho problema da identidade genética da «esquerda»: a transformação. Enquanto os partidos de «direita» edificam a sua identidade política pela revisão dos valores tradicionais, assumindo uma postura conservadora na leitura social, os partidos de «esquerda» operam inevitavelmente na lógica da transformação, da rutura e da ressignificação. As múltiplas potencialidades das ideologias de «esquerda» permitem um amplo espetro partidário. Enquanto o PCP, a velha «esquerda» se regula por um paradigma não distante da «direita» mais conservadora, isto é, assume uma lógica de contenção face à mudança e à recodificação ideológica-discursiva, empurrando-o assim para um segmento social cada vez menos existente, o PS sempre assumiu as rédeas da «esquerda democrática». No entanto, muitas das suas coligações à direita, formando um centrão que se revigora e se confunde, levaram a um desgaste político que tem permitido a sobreviência do PCP e a permitiu o crescimento do BE. Não obstante, o BE, com a sua lógica contestatária mas não necessariamente democrática e acima de tudo não-europeia e de clichés sociais, tem gerado uma repercussão social infinitamente menor ao desejado, reforçado pelas dicidências dos mais históricos do partido. É precisamente daí que emerge Rui Tavares, dos «esquerdistas» anti-troika mas pró-europeus, que não se sentem mais confortáveis no BE mas que não se satisfazem com o PS disposto ao centro e com menos punho do que o desejado. À esquerda do PS e à direita do BE, exatamente onde está hoje a maioria do eleitorado português. Resta saber se o projeto terá viabilidade social, ou se antes melhor seria voltar a fazem da rosa um punho forte à esquerda, é que como diz John Wolf "Rui Tavares corre o risco de ser o António José Seguro desse território enigmático - o meio da esquerda, no meio de nada".

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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