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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

22
Nov13

Ainda o Livre.

O ruído de fundo gerado em torno do partido criado por Rui Tavares, é incompreensível. Essencialmente da margem «direita», com elevado teor de hipocrisia, vieram a terreiro os rumores de que Rui Tavares fazia do LIVRE um golpe para se perpetuar por Bruxelas. A falta de ponderação à «direita» e o elevado silêncio da «esquerda» revelam também o incómodo que começa logo por ser a iniciativa de Rui Tavares. Não se compreende, desde logo, tamanha aflição. Há sempre espaço para mais um partido no espetro político português. Não me recordo, na verdade, de ter havido tanta barulho pelo Partido Humanista, pelo Partido pelos Animais e pela Natureza, e outros que tais, tão legítimos quanto o LIVRE. Há, claro, uma razão em todo este barulho que revela algum medo. Rui Tavares não fará caminho sozinho, com ele estão e estarão nomes fortes da «esquerda» lusófona, dissidentes do Bloco de Esquerda, na sua maioria, pessoas que se vêem melhor no rio que corre entre o Bloco e o PS. O que assustará, creio, em particular os "bloquistas", é a franja social que o LIVRE representa(rá): o eleitorado urbano de «esquerda» que considera o BE demasiado radical. Aquela massa de cidadãos que é contra a troika mas que gosta e quer fazer parte da Europa, que não se vê longe dessa geografia das emoções que é a União Europeia. E a julgar pela carreira política e pelas iniciativas tomadas por Rui Tavares, há que lhe dar o benefício da dúvida, pois que à esquerda há sempre ideias, e na política há sempre espaço para mais um.