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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

25
Abr13

Um Portugal de Abril

Samuel P. Huntington teorizando sobre as "vagas de democratização" expõe-nas como: “transições de regimes não democráticos a democráticos que ocorrem dentro de um período específico de tempo e que excedem significativamente as transições no sentido oposto durante esse período de tempo. Uma vaga também envolve normalmente a liberalização ou parcial democratização de sistemas políticos que não se tornam plenamente democráticos” (1991:579). Esta última afirmação transparece, de algum modo, a realidade portuguesa. Com o 25 de Abril de 1974 Portugal transita para o pós-Estado Novo mas não necessariamente para a democratização absoluta, embora Huntington considere a data como o marco da terceira vaga global. 

No entanto, quando olhamos o que foi feito e o que ainda está por fazer desde 1974 encontramos um país demasiadamente marcado por tiques do outro regime político, por um modelo de governação de compadrios e por uma nostalgia perigosa do Estado Novo. A eleição de Salazar como o melhor português de sempre é, a meu ver, um marco histórico na frágil democracia portuguesa, porquanto revela um tecido social preso a memórias cor-de-rosa da ditatura ao mesmo tempo que compreende uma realidade nacional débil em termos de civismo, consciência social, perceção de Estado e de exercício político. É por isso que Medina Carreira diz que o Estado Social tem a ver com dinheiro e não com pena, e que o poder serve para empregar amigos, primos e sobrinhos. Taxativo e verdadeiro.

A democracia portuguesa é ainda com "d" pequeno. Falta-lhe maturidade, tranparência e valorização do mérito. Falta-lhe quase tudo para romper com um passado que estrangulador das liberdades conseguiu dentro da sua lógica ser mais transparente, o que por si só é extremamente grave.