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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

05
Jan14

Eusébio, Alma Portuguesa, Ideologia.

No velório do sempre eterno Eusébio, humano elevado a ancestral quando os seus antigos o chamaram, o primeiro-ministro recuperou os lugares ideológicos do Estado Novo, ao apelidar Eusébio de "símbolo da alma portuguesa". Ora, esta ideia de alma portuguesa não poderia ser maior instrumento político, uma ferramenta ideológica que compreendia o futebol, o fado e as peregrinações a Fátima, os famosos três efes, e um bem delineado modelo psicológico nacional baseado na pobreza saudável e orgulhosa, na humildade subserviente, no recato, na fé bem vincada, na aceitação dos devires e de um sebastianismo que apelava a um querido líder. Não diferente, portanto, das aspirações de PPC para os portugueses de hoje. Mas nem isto, nem a utilização de Eusébio durante o Estado Novo, de resto não diferente do feito pelo Estado Novo brasileiro com Pelé, não apaga o lugar de Eusébio na memória coletiva, o génio de uma arte, muito menos o ser humano de notáveis qualidades que os mais inquestionáveis referem.