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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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01
Mai13

Política do que não é.

Permitam-me a reflexão. Andam certas vozes por aí a embandeirar com o imperativo de renegociar com a troika, como se suavizar a austeridade fosse, de facto, o caminho. Não é. A mim, pessoalmente, não me chega o modelo "do mal, o menos". Pelos vistos a muitos isso é o quanto baste. O problema é, na verdade, bem mais profundo e tem as suas raízes para lá das fronteiras nacionais. O que está em causa não é a troika e as suas receitas para a Europa. Não basta fazer política do que não é. Precisamos deixar a troika de lado. A Europa precisa de ser repensada conceptual e paradigmaticamente. A começar é preciso reconhecer que o que vivemos hoje é o IV Reich. Um poder imperial já não precisa de ser bélico e ser expresso em marchas de exuberância e demonstração de poder. A Alemanha foi responsável por duas guerras em cem anos. Perdê-las não foi suficiente porque teve ajuda na recuperação (dívidas que ficaram por saldar). O "espaço vital" aliado ao expansionismo nunca saiu de cena, esteve somente camuflado pelo estado de recuperação. Ficou, então, a aguardar.

Desta forma, é preciso que a Comissão Europeia deixe de ser o Reichstag, o que por si é difícil, umbiligada que está a Berlim. Mas imperativos são imperativos. Acabem-se as sopas para o Barroso. Posto isto é preciso que a moeda única seja extinta, pelo simples facto de que é um projeto inacabado e baseado na economia alemã, não nas economias periféricas. O escudo nunca esteve ao nível do marco, ponto. Digo-o eu, e diz, mais importante ainda, João Ferreira do Amaral.

Se continuarmos a insistir na moeda única, na austeridade (mesmo que passe a austeridadezinha) estaremos simplesmente a tardar o inevitável, atrofiando as economias periféricas, nomeadamente a nossa, e castrando uma geração inteira.

Não que o modelo da moeda única não seja interessante, é, como muitas utopias. A Europa só funciona bem junta, é um facto, mas não sob a ilusão da homogeneidade. A Europa é feita de muitas velocidades, porque é feita de contextos particulares. Partir deste princípio é, fundamental.

 

(texto originalmente escrito a 10.11.12 noutro sítio; ainda atual)

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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