Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

22
Jan15

A adoção homossexual e os delírios sociológicos ali metidos

Já publiquei neste espaço algumas considerações acerca do casamento e adoção homossexuais. Sou, para ambos os casos, a favor. E, igualmente para ambos os casos, por a família não se tratar de um património exclusivo judaico-cristão. A sociedade portuguesa ao se tratar de uma realidade social, política, económica e ideológica (no sentido lato de nação imaginada e tradição inventada) que busca, impulsionada pelo motor conjetural, a democratização do seu pensamento num sentido de garante das liberdades de consciência, escolha e atuação, dentro de um quadro que age com base nas garantias dos direitos alheios. Nesse sentido, valorizando as múltiplas identidades vigentes em sociedades globais, em que as identidades se jogam não apenas na alteridade mas na opção, defendo princípios como o casamento e adoção homossexual, o casamento polígamo, a eutanásia, e por aí em diante. 

Aceito, desde que apresentados com moderação e coerência, opiniões contrárias. O que não confere argumento é a ideia de que a família construída a partir do referencial católico de pai-mãe seja o modelo por excelência de família e que seja conferente de uma correta e saudável socialização primária (educação infantil). Este tipo de argumento assemelha-se, e muito, à assunção evolucionista do séc. XIX de que todas as culturas/civilizações haveriam de evoluir até chegarem a ser como as europeias e norte-americana: cristãs, monoteístas, e com um modelo civilizacional ocidental. Nada está mais errado do que uma visão unívoca e totalitária de sociedade e existência.