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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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19
Jan16

A distinção a Tony Carreira e a Diplomacia Portuguesa

 O cantor romântico português Tony Carreira recebeu a Comenda francesa de Cavaleiro das Artes e Letras, uma distinção digna de orgulho e que merecia maior atenção portuguesa. A recusa da Embaixada Portuguesa em Paris de ser palco da solene condecoração representa uma total separação entre as missões diplomáticas portuguesas e os cidadãos emigrados. Se olharmos para o caso da Embaixada Brasileira em Lisboa, somos forçados a dar uma volta de 180º em termos de paradigma diplomático e perceção de funções. A mesma é sede de inúmeras iniciativas culturais, como cinema, lançamento de livros, espetáculos de pequenas dimensões, sempre em torno do Brasil e levado a cabo por cidadãos brasileiros moradores em Portugal. A noção de Embaixada para além dos cocktails diplomáticos e funções de Estado é de louvar, representando a verdadeira proximidade do Estado brasileiro às suas comunidades. 

        A recusa da Embaixada Portuguesa revela, portanto, uma leitura elitista quer do papel da Embaixada junto das comunidades migrantes portuguesas quer do que compreendem como cultura. O facto de, eventualmente, o Embaixador não apreciar a música de Tony Carreira, facto perfeitamente legítimo, não invalida o reconhecimento do papel desempenhado pelo cantor quer na música portuguesa quer nas comunidades migrantes lusas. O facto do cantor ter sido, ele mesmo, emigrante em França, reveste de particular importância o seu trajeto como símbolo de conquista e de pertencimento a uma comunidade real que transita entre Portugal e local de emigração. Tony Carreira é um ator deste quadro sociológico em que a música atua como elemento produtor de identidade e espírito comunitário. Não reconhecer e valorizar isso é um erro grosseiro da Embaixada Portuguesa em Paris. 

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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