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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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20
Mai15

A grafia dos (des)acordos

 Há, naturalmente, que respeitar as opiniões contrárias. Não me parece minimamente insensato reconhecer legitimidade aos que se opõem ao Acordo Ortográfico. É um direito. Por analogia, posso não concordar com muitos dos princípios estabelecidos pela Igreja Católica mas reservo-lhe o total direito a os possuir. Quem não está bem com o credo, mude-o. Mas isso são outras paragens. No que concerne ao Acordo Ortográfico adotei-o sem muitos "mas". Não me agrada a totalidade das convenções, é um facto, mas sigo-o pela lógica do prático. É o que está estabelecido, não me cabe fazer disso uma batalha. Em todo o caso, o argumento contrário que não me satisfaz é o da corrupção da grafia portuguesa. Parece que, para muito boa gente, o AO veio interromper uma linha contínua da gramática e grafia portuguesas, estabelecidas desde os primórdios da lín

gua. Sabemos bem que não tal não é verdadeiro. A língua portuguesa tem mudado consideravelmente e somente pela via do romantismo latinista poderemos pensar que farmácia ainda se escreve (ou deveria escrever) com "ph". Ora, como o Ph deve ser neutro, o melhor é reconhecer que a língua, como tudo o mais, não é estanque, e o que o AO fez foi simplesmente acelerar um processo mais tarde ou mais cedo a ter lugar. Não é perfeito, certamente que não. 

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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