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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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01
Fev16

A importância da memória e do esquecimento

«[A] memória é a vida, sempre carregada por grupos vivos e, nesse sentido, ela está em permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento, inconsciente de suas deformações sucessivas, vulnerável a todos os usos e manipulações, susceptível de longas latências e de repentinas revitalizações». (Pierre Nora, 1993:9).

Os malfadados acontecimentos do nosso tempo, especificamente a crise dos refugiados, e as respostas europeias, como a cassação dos bens por parte da Dinamarca, remetem-nos para tempos não muito distantes, com a fuga em massa à emergência do Estado nazi de Adolf Hitler por parte dos judeus oprimidos. A invocação dos acontecimentos, a que podemos recuar, a título de exemplo, à violento processo de escravatura, com o comércio forçado de inúmeros africanos para as américas, ou avançar para os não menos violentos gulag durante o regime estalinista, serve-nos para pensar a importância da memória. Enquanto dispositivo biológico humano, a memória é a nossa capacidade de reter e processar informação, mas também de esquecer. Compreendemos, da experiência de nós mesmos, que memória é algo dinâmico, que esta se altera ao longo do tempo e do espaço, em função de fatores demográficos e geográficos e da própria memória da memória, i.e., como diz Legg (2007), cada recordação é uma recordação tanto do evento em si quanto da última vez que o mesmo foi lembrado. Tal facto permite que a memória se altere, reconstrua ou se distorça, pois como afirma Suleiman (2002, 2006), o esquecimento é um ativo poderoso da memória. Esquecer permite-nos seguir em frente, relativizar acontecimentos negativos, ultrapassar traumas, mas também nos impede, enquanto humanidade, de aprender com os erros históricos, e de repeti-los. Somos prisioneiros da nossa memória, pois como bem denota Rosa Montero, num livro que já aqui falei: "de maneira que inventamos para nós as nossas lembranças, que é o mesmo que dizer que nos inventamos a nós mesmos, porque a nossa identidade reside na memória, no relato da nossa biografia".

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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