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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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04
Mai15

A Lei do Sangue

[A leitura deste texto é desaconselhada a César das Neves e outros que tais]

Segundo o presidente do Instituto Português de Sangue, Gabriel Olim, “ser homossexual é um comportamento de risco” e tal infere na possibilidade de doar sangue. Portugal chegou, então, com devido atraso, à discussão sobre homossexualidade e doação de sangue, depois dos EUA terem banido, após 31 anos, a interdição. Com complexas restrições, as quais Portugal pretende, lato senso, seguir. Mas nem sequer é isso que está em causa. O que entra em cena é, em rigor, por um lado a avaliação do sujeito enquanto homossexual e, segundo, o princípio dos comportamentos de risco. Em rigor, qualquer pessoa pode esconder a sua orientação sexual e assim doar sangue, isto porque, e felizmente, os homossexuais não precisam de andar com uma placa distintiva ao peito. Em segundo lugar, há aqui uma confusão entre sexualidade declarada/assumida e sexualidade clandestina. Bem vistas as coisas, um homem que é oficialmente heterossexual mas que no escondido do seu lar ou na clandestinidade de um motel em nenhures tem relações sexuais com outros homens, pode doar sangue. Em termos práticos, o que está aqui em causa, e creio que a metáfora é adequada, é a confusão entre o cú e as calças. Em suma, o problema dos comportamentos de risco estão ligados ao primeiro, sendo que são as calças que deixam as coisas menos claras. Vale recordar, que numa relação heterossexual, o primeiro nem sempre está ausente das práticas e fantasias. Quer isto dizer, que uma senhora heterossexual que tem relações sexuais de natureza tal, com o marido, namorado, ou quem seja, poderá doar sangue, porque o seu ato não se encontra em equação. Ora, neste sentido, o que temos aqui não é uma questão de segurança mas antes um ideal de arianismo sanguíneo, e isso é bem diferente. Ou não sendo, uma profunda incoerência na gestão do processo. 

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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