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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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12
Nov16

A lição de Trump ao Partido Democrata.

Democrats did it themselves, é uma conclusão acertada para o desfecho das eleições norte-americanas. O Partido Democrata precisa, com seriedade, fazer uma reflexão sobre os caminhos que pretende trilhar doravante, para que os erros, cuja fatura foi agora emitida, não se repitam. O primeiro erro foi desvalorizar a candidatura de Trump e ter, por portas e travessas, dado uma mão ao agora eleito presidente, numa tentativa de dividir o eleitorado republicano, esperando que o tempo cumprisse o seu papel de fazer cair a paródia donáldica. Menosprezar a capacidade de Trump cavalgar a onda foi um erro colossal, e os media, por seu turno, não estão isentos de responsabilidade. Donald Trump é one man show numa América onde uma fatia significativa da população elege o presidente como um concurso de popularidade. Em segundo lugar, e verdadeiramente mais importante ainda, foi desvalorizar o seu próprio eleitorado, oferecendo-lhe a candidata Hillary Clinton como se os democratas não dessem pela diferença face a Bernie Sanders. Uma desfaçatez dos corredores democratas, que optaram pela sua candidata mais conservadora e cuja imagem não se deslocava da administração do seu marido e dos interesses de Wall Street. É preciso, portanto, respeitar o eleitorado, quando era evidente que os eleitores democratas queriam uma transição governativa pacífica, com um presidente com uma imagem clean e independente dos vícios políticos, e verdadeiramente de esquerda. Bernie Sanders reunia todos os predicados como candidato (uma vez que Michelle Obama não apareceu à corrida, e bem a meu ver). O partido desinteressou-se disso, partindo do errado pressuposto que qualquer candidato serviria ao seu eleitorado. É claro que o eleitorado democrata cometeu o erro de não ir votar, esperando que os seus concidadãos flutuantes e até republicanos não cometessem o erro de eleger Donald Trump. Mas cometeram. Um golpe inesperado geminado com o brexit, e que deixa a América num caos político, num turbilhão social, entregue ao lado mais negro do Partido Republicano. Serão quatro penosos anos. Ao menos que seja uma lição profunda para o Partido Democrata -- é preciso deixar o eleitorado escolher. 

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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