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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

25
Ago14

A Nostalgia Abrupta.

O acumular dos dias vai atirando-nos para as memórias com mais veemência. Há sempre cada vez mais cheiros, aromas ou brisas que nos vão recordando mais coisas, que nos vai bailando no imenso campo da vida. Não há muito de poético em ver o tempo fugir como um rio nebuloso que não nos mostra o horizonte, e a pressa que nos habita no alto da infância é agora olhada como marco de uma inocência que não se recupera. Ter celebrado, recentemente, 30 anos, significou um dobrar de uma esquina inesperada. Longe vai o tempo que os 30 eram uma miragem de uma idade adulta e incompreensível. Hoje, enquanto o Canal Hollywood passava o filme Karaté Kid, apercebi-me de que o tempo passou depressa demais. Foi como se fosse ontem que coloquei o VHS pela enésima vez no leitor de cassetes do quarto dos meus pais e me atirei para cima da cama, com o fato de karaté vestido e um pacote de bolachas. À velocidade de um sopro as memórias voltaram de forma mais abrupta, como se vivesse eternamente o ontem. Temo que chegue depressa demais o tempo de perceber com mais dor a franqueza das palavras de Mário Quintana: «Antes todos os caminhos iam. Agora todos os caminhos vêm. A casa é acolhedora, os livros poucos. E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.»