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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

06
Nov15

A Parcial Democracia do Velho Continente

Parcialidades. É exatamente assim que vai Portugal e a Europa, depreende-se dos comentários de determinados analistas políticos, do Presidente da República ou do líder do Partido Popular Europeu. A toda esta onda de histeria coletiva que varre o Velho Continente, junta-se a corrente humana em torno da Assembleia da República pedindo um compromisso alargado entre PSD, CDS e PS, pedindo, em fim, que o Partido Socialista dê a mão ao governo, que se mantenha dentro do status quo, que faça o contrário do que os outros fizeram para que a troika entrasse em Portugal. Percebe-se, claramente, que há na Europa ainda muitas fantasmas. Resquícios de um outro tempo. Sebastianismo e messianismos barrocos. Exaltações amnésicas. São os mercados temerosos, o capitalismo sem rosto que segue esbaforido, é a Democracia de cristal construída após a Guerra a vacilar. A caça às bruxas nunca desapareceu. O eminente acordo entre o PS, BE e CDU reaviva os estereótipos do "perigo vermelho". É um mal que vem ao mundo, é o fim dos tempos, é o Apocalipse bíblico. É como se não tivesse sido um acordo entre tais partidos a permitir, décadas atrás, por exemplo, a criação do Serviço Nacional de Saúde. Pior. É como se a Democracia só fosse possível, na Velha Europa, através dos partidos engravatados. Partidos, aliás, que vão em na linha do que escreveu Alexandre O'Neill, «País engravatado todo o ano, e a assoar-se na gravata por engano». Não há Democracia, portanto, em Portugal, que não passe pelo PSD e/ou CDS no poder. Somente eles assumem o papel de estabelecer a ordem e a moral. Tudo o mais são vozes da oposição, vozes que deveriam ter ficado silenciadas no tempo. Porque a Democracia é para pessoas "às direitas".