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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

25
Jan15

A Vitória do Syriza. Horizontes para um amanhã europeu.

A vitória do Syriza abre portas a uma nova Europa? Não necessariamente. Demasiados fatores deverão ser tomados em conta e muito jogo político estará agora a começar. Há um mantra na União Europeia que afirma a necessidade dos gregos cumprirem os seus deveres. Não será pelos gregos que a Alemanha abrirá mão do seu projeto, o qual é a fatura de ter aceite fazer parte de uma moeda regional. Os alemães padecem de um egocentrismo francês tornado pragmático, sendo muito pouco dados a pensar fora de si mesmos e do seu velho «espaço vital». Não adianta os especialistas virem dizer que afinal a austeridade é um péssimo caminho, um dos muitos erros cometidos por políticas de gabinete, a começar pela moeda única que pretendia nivelar pelo marco alemão uma série de países a diferentes tempos e realidades socioeconómicas. 

Não obstante, e a menos que o Syriza pós-eleito se torne num partido moderado e negocial, certamente que o jogo de poderes europeu irá mudar. Irá a Grécia permanecer na União Europeia? Irá abandonar a moeda única? A Grécia será, daqui em diante, um palco de muitos exercícios laboratoriais. Muitos países estarão de olhos no rumo grego como ensaio para futuros caminhos alternativos. A Alemanha desengane-se se julga que poderá manter a Grécia em rédia-curta. Os gregos não são os portugueses, isso já se viu. Ademais, os gregos não olham os empréstimos europeus como dívida a ser paga a elevados juros, pelo contrário, trata-se, sim, da sua perspetiva, da restituição do empréstimo que a Grécia concedeu à Alemanha pós-II Guerra Mundial. E esta é uma interpretação diametralmente diferente. Acresce que os gregos não olham para a austeridade e a salvação dos bancos e da dívida dos privados com o encolher dos ombros luso, para eles trata-se de uma afronta real ao povo real. E tornaram-no muito claro, nas eleições de ontem. 

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