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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

23
Jan15

Adoção chumbada, um país ainda a assoar-se na gravata

Há um problema de conjugação de cores e padrões entre uma sociedade globalizada e os brandos costumes historicamente enraizados. Na via das dúvidas joga-se pelo seguro.

 

A adoção por casais homossexuais foi chumbada no Parlamento. Há razões políticas e sociológicas que o justificam. Em primeiro lugar, os motivos políticos são claros: há eleições à porta e a direita em exercício de (decadente) governo, com margem mínima eleitoral, não quer melindrar o seu eleitorado mais fiel, na ínfima esperança de manter o lugar, ainda que branda "que se lixem as eleições". Não há espaço para manobras para cativar o eleitorado volátil. Os setores conversadores e os homofóbicos são uma fatia importante do eleitorado de direita. Qualquer taxista de Lisboa [nota: estereótipo em uso como alegoria] dirá que os "maricas" não têm nada que ter filhos. É claro que esquecem dos milhares de homens casados e com filhos que optaram por se manter a si mesmos no armário. Ora, isto leva-nos aos aspetos sociológicos (fortemente imbricados aos políticos). Portugal é, ainda, um país com enormes tiques rurais, de comodidade religiosa, e brandos costumes. Nesse sentido, a questão revela-se uma "pescadinha de rabo na boca", porque o medo das eleições leva os partidos de direita a reconhecer estes dados sociológicos e a rejeitar tirar-lhes o tapete. No fundo, bem dizia Alexandre O'Neill, "País engravatado todo o ano e a assoar-se à gravata por engano". 

 

»» obrigado equipa SapoBlogs pelo destaque a este postal.

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