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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

05
Fev16

América: um tiro no bom-senso

O Estado da Florida aprovou, hoje mesmo, a autorização para que os jovens possam entrar nas universidades armados. Não há como não olhar o facto com apreensão e retirar óbvias conclusões. O imaginário norte-americano precisa das armas para autoconsolidação. No quadro coletivo americano, a bandeira, as armas, Deus, o hot dog e o american football, operam como mnemónicas de consolidação identitária. São, claro, chavões frágeis que mal operam no sentido de criação de identitade e memória coletiva, mas que no quadro político produzem resultados junto do eleitorado conservador da «América profunda», amarrado a valores religiosos e paradigmas de lei armada. O problema maior é que ao procurar afirmar-se e consolidar uma imagem de guardiã da Democracia no mundo, a América vive num vácuo de constrassensos, isto porque a Europa não reconhece a autoridade americana através do modelo de «paz armada». No plano interno, ao nível dos impactos sociais, esta medida é perigosa, ao reproduzir e ampliar a noção de que a lei faz-se pela força, e a segurança pelo recurso ao armamento, quando é demais evidente que o problema reside, precisamente, na militarização da sociedade norte-americana.