Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

22
Jan14

"Anda cá caloiro". Das praxes académicas.

As praxes académicas representam, em teoria, um processo pelo qual os jovens são inseridos num novo contexto, representando um rito de passagem 

(Van Gennepp, 1981) da vida do ensino secundário ao superior, num processo análogo à designada Queima das Fitas, momento que marca a rutura com a vida universitária e a disposição ao mercado de trabalho e necessária a receção do diploma que atesta a valência académica. Não obstante, estes ritos de passagem comportam uma carga de violência que vai do simbólico ao físico nos casos extremos. Constata-se que as praxes se tornaram num evento de definição de poder e de tensão hierárquica que reforça o estatuto dos mais velhos através da submissão dos iniciados a rituais de humilhação. Ao mesmo tempo, a pertença à categoria de veterano gera um sentimento de poder e licencia a submissão de novos estudantes. A repetição do ciclo torna o ritual uma tradição. No entanto, apesar da perspetiva hobsbawmiana que subjaz à tradição académica das praxes, a verdade é que os seus efeitos psicológicos se sentem e se medem em larga escala, quer pelos relatos nos media quer pelos casos que vamos tomando conhecimento. Nesse sentido, o texto de John Wolf sobre o assunto contém o sabor amargo devido ao assunto, e a razão de quem fala com a mesma.