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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

18
Jun17

As lágrimas não salvam Pedrógão Grande.

 Cantou Zeca Afonso que "a morte saiu à rua num dia assim". E foi. E não nos bastam as lágrimas para extinguir o fogo, não nos bastam os braços emotivos para circunscrever as chamas e extingui-las na dor e nos afetos. A mancha negra é mais do que geográfica, é o dolo dos que nada fazem, dos que são coniventes, dos que ganham dinheiro de sangue com os incêndios. São os "doidos" que saem impunes porque não há mão pesada nestas tragédias. Porque o anterior Primeiro-Ministro, é bom recordar, retirou os incêndios dos crimes prioritários de investigação, retirando-lhe qualquer legitimidade para se embandeirar por feitos governativos cujos efeitos são vividos na atual magistratura. Um tonto. Enquanto isso estamos perto das 60 vítimas mortais. Uma tragédia sem igual, uma vergonha num país burocrático, que pune quem limpa o próprio mato. Um país onde quem planta o fogo aluga os equipamentos de combate. Um país ondem faltam meios e gente para limpar as matas, mas que não faz uso de prisediários para essas tarefas. Um país lavrado todos os anos pelas chamas, mas que por um passo de mágica de amnésia parece sempre surpreso, optando, como diz o John, por olhar para o calor e as praias, num provincianismo jornalístico absurdo. 

 

{foto RTP}