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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

03
Mar15

As lições da Direita que a Esquerda não quer aprender

 Faço da parte da mailing list da Coligação Novo Rumo para Vila Franca de Xira. Não sei exatamente porque motivo, nem tal importa particularmente ao caso, mas faço. Esta nova coligação, formada pelo PSD, MPT e PPM,  é um excelente exemplo da capacidade de negociar, estabelecer pontes e produzir efeitos práticos ao nível inter-partidário da Direita portuguesa. Os partidos que ocupam a dita margem direita do espaço político-ideológico português aprenderam a mais válida lição da democracia: para se ter voz é preciso ter presença. A ação política que visa a melhoria da sociedade em que se insere - independentemente do recorte ideológico que comporta - implica fazer parte do eixo decisório. Não podemos esperar implementar ideias sem estarmos dispostos a aceitar que as mesmas façam parte de um pacote mais amplo de medidas com as quais podemos não ter de total acordo. Ao contrário do que acreditam os partidos de esquerda PCP e BE, a mudança faz-se pela participação. Messiânicos e ideologicamente formatados, tais partidos são sobrevivências de um espírito de oposição de regime. São esperanças religiosas mais do que projetos político-sociais. A Esquerda portuguesa não entende, nem pretende entender, que os partidos de Direita irão sobreviver no poder precisamente porque estão dispostos a aceitar uma regra social básica - de que a convivência é um processo de alteridade negocial. Enquanto viverem na utopia da Primavera vermelha não terão nada a crescer ou oferecer à sociedade. Igrejas carismáticas e salvacionistas há muitas, não é preciso partidos que agem sob a mesma lógica. Do Juntos Podemos, ao Agir, passando pelo Livre e pelo Manifesto 3D, o que temos é um sem fim de igrejas políticas que pregando a mesma palavra o fazem em diferentes tons e de modo independente. A lógica "eu é que sou a Esquerda" é uma erva daninha que teimam em fazer florescer.