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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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16
Jan15

Das "controversas" declarações do Papa Francisco

Corre pelo Facebook uma batalha, situada numa certa esquerda, em torno das declarações do Papa Francisco a propósito dos ataques em Paris. Comenta o Sumo Pontífice católico que a liberdade de expressão se limita quando ofende propositadamente a religião dos outros. Mesmo como não-cristão não consigo compreender a gravidade de tais declarações. É certo que o Papa carrega às costas uma longa história institucional de proselitismo e violência religiosa. Não obstante, há que abrir a porta à possibilidade de mea culpa, de reconciliação do passado negativo com um presente e um futuro mais aberto e positivo. Desse modo, não se deve exigir a uma instituição religiosa que deixe de ser aquilo que ela é, doutrinariamente -- e desde que tal não viole as liberdades e as dignidades físicas e psicológicas dos sujeitos -- em favor de um ideal que se tenha. Eu como não católico posso desejar por instituições religiosas mais liberais, dialogantes e positivas, mas não posso exigir que a Igreja Católica ou outra qualquer, sob o princípio mutatis mutandi, seja a favor do aborto, do casamento homossexual ou da eutanásia só porque são princípios que defendo. 

Ora, é toda esta confusão de casos mal-resolvidos com instituições religiosas, nomeadamente com a Igreja Católica, que está na origem de um ataque descontextualizado ao Papa Francisco. Aquilo que o Charlie Hebdo faz não é imprensa, é um exercício lúdico de bullying a uma determinada comunidade* religiosa. O que é bem diferente. Isto não quer dizer que a resposta dada seja a adequada e não significa que o Islão radical não seja um perigo real, entenda-se, o que está em causa no caso concreto dos cartoons é o desrespeito absoluto pela dignidade e pela liberdade de consciência alheia. E é isto que marca um certo ateísmo negativamente: o desprezo e o desrespeito por quem tem, no gozo dos seus direitos, uma determinação religião. Não é aceitável que assim seja.  

 

 

*aqui comunidade usa-se no sentido de 'comunidade imaginada' de Benedict Anderson. 

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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