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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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20
Set16

Do burkini à laicidade

Um dos mais problemáticos conceitos do nosso tempo, ao jogar com a busca pela separação entre religião, Estado e espaço público, preservando, simultaneamente, substrato cultural nacional e abrindo portas à pluralidade que compõe o tecido social das nossas sociedades. É um desafio tremendo para os nossos Estados. 
Como lidar com a diversidade sem violar as liberdades individuais e o direito à expressão das identidades culturais e religiosas? A proibição dos minaretes em várias cidades europeias deveria ter sido feito acompanhar da proibição do uso de sinos por parte das igrejas católicas. Os Estados ou são laicos ou não são, e se o são devem ser na igual medida para todos. Fora isso o que temos são Estados tendencialmente laicos. Não pode acontecer a proteção de uma religião por razões históricas e o controlo de outras. Da mesma forma que movimentos e partidos políticos não devem fazer uso do chavão da "minoria" sem olharem para o quadro geral. É inegável que a laicidade portuguesa, por exemplo, nas suas dimensões ideológicas à extrema-esquerda, se consubstancia na apologia do islão sob todas as formas e no ataque ao catolicismo em todas as vertentes. Defender uma religião e condenar outra não é ser laico.
Quando um pedaço de pano ameaça toda uma sociedade significa que este pedaço de pano encerra um problema maior. O burkini não é o burkini, infelizmente. Sem dúvida que tratado por si só, o burkini está ao abrigo da reserva de direito de traje e expressão cultural. O direito à diversidade só faz sentido quando garantido em todas as suas dimensões. No entanto, da outra margem encerra-se uma preocupação legítima - a do avanço político do islão no Ocidente e do recuo da diversidade cultural que seria o primeiro intento. Recordemos a frase de Yusuf al-Qaradawi, clérigo egípcio e presidente da união islâmica de académicos -- "We will colonize you with your democratic laws." Nesse cenário, como será possível proteger a diversidade? 
Disto isto, aguentamos bem o burkini, a Liberdade não será ofendida por um pedaço de pano, nem o seria com um minarete, mas não hajam dúvidas que todo o avanço extremo, seja qual for, merece ser travado. Há uns meses, no Canadá, a comunidade islâmica de uma pequena cidade, reclamou o fim da carne de porco nas cantinas escolares. Na Suíça crianças islâmicas recusaram-se cumprimentar os professores por razões religiosas. É urgente um meio-termo. A laicidade positiva necessita de empenho de todas as partes. A liberdade não é um dado adquirido.

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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