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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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02
Fev16

E se Donald Trump fosse eleito?

 

Conhecemos a América como o país de todas as possibilidades, de todas as demografias, de todos os acidentes geológicos e contextos culturais. É o melting pot por excelência, o país de contrastes, da denominada «América profunda» às vibrantes cidades como a emblemática Nova Iorque, the big apple. No entremeio que fica entre contrastes, na curva que vai entre estradas e Estados, fica uma América que não se pode mencionar a uma só voz. Sociologicamente complexo, o país chamado Estados Unidos não poderia ser politicamente simples, ou poderia? Apesar da diversidade, a vida política americana fragmenta-se em dois partidos: Republicano e Democrata. Aos primeiros corresponde a ideologia conservadora, com enorme expressão nas altas esferas económicas americanas e entre o eleitorado rural. Aos segundos corresponde a ideologia liberal, no sentido de não-conservadora, com maior expressão entre as elites intelectuais, classes baixas e médias e nos espaços urbanos. A distância entre realidades é tremenda. Trata-se da América das armas, da religião, do patriotismo e da alta finança, versus a América das liberdades, do país para todos, da pluralidade sexual e religiosa, do anti-armamento. É Bush e Obama, é Trump e Hillary. Apesar da popularidade de Hillary Clinton, a sua eleição está longe ser real. O feminismo, a América multicoloridade, não é consensual. Pelo contrário. O paradigma dominante é o da América como grande legislador mundial, da América armada. A grande indústria americana é republicana. O soft power americano precisa de elementos conotados com os republicanos, como a bandeira, a Coca-Cola e o hot dog. Quer disto dizer que precisa de lugares-comuns para exercer o seu efeito. Paralelamente, apesar de qualitativa e difícil, a gestão de Obama foi-se degradando e cansando. Obama já não é mais o man of the moment, mas um presidente em firme de mandato e com um histórico de grandes crispações. Hillary representa a continuidade que não agrada a todos. Donald Trump, que aos olhos europeus e democratas representa o pior da política americana, o verdadeiro "saloio" milionário, tem uma margem considerável de aceitação entre o eleitorado republicano, ao defender o armamento, as intervenções militares, as políticas anti-emigração, o conservadorismo religioso, e ficando, do ponto de vista imagético, entre a América profunda e a alta finança, agradando a todos. Se Donald Trump ocupar a Casa Branca não regressamos a George W. Bush. Avançamos para algo muito pior. 

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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