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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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23
Jan14

FCT e Ciências Sociais.

O escândalo da FCT não é surpresa. Narrativas idênticas têm tido lugar noutros painéis das ciências sociais e mostram bem o quanto a ciência em Portugal está instrumentalizada e ideologicamente orientada. Não são apenas os favores, os lóbis, as mãos invisíveis que embalam os boys and girls certos. Há muito para além disso. O drástico corte nas bolsas em nada se deve a uma necessidade de redução em favor de um menor orçamento. Corta-se por ideologia e não por rigor. Prova disso é a ausência de explicação para que projetos serão os fundos afetados, como bem relembra Maria de Lurdes Rodrigues à TSF. Nesse sentido, a redução de apoios à investigação científica em Portugal, e em particular no que concerne às ciências sociais, acompanha uma tendência maior do capitalismo selvagem em que vivemos, governado por uma visão financeira a-ética e desregulada, em que o mercado é por si e nada mais. 

A geração que nos governa não alcança a importância das ciências sociais, vendo-as como um assunto menor, não lucrativo. Isso revela bem o provincianismo das mentalidades e a orientação ideológica que visa regredir a sociedade portuguesa cinco décadas, criando um fosso entre ricos e pobres, reduzindo, neste campo, a competição, garantindo, em muitos casos, a segurança do posto a menos competentes e, no viés menos instrumentalizado, impedindo a renovação geracional na vida académica portuguesa. Um país sem ciência é um país sem progresso, mas é também um país que se revolta menos porque é menos informado. 

Não compreender a importância das ciências sociais é não compreender que a Economia e as Finanças, que são as ciências que unicamente importam aos governos que correm, não se fazem sem a História, a Sociologia, a Antropologia, a Filosofia, a Ciência das Religiões, etc., porque não se teoriza sobre um mundo que não se conhece. O conhecimento da realidade social e cultural é dado pelas ciências sociais. 

Portugal é hoje um país em que os melhores vão embora e reforçam e capacitam universidades e empresas estrangeiras, deixando o país entregue a um fechado universo de compadrios que edifica um país envelhecido, retrógado e provinciano. Um país ao modelo do Estado Novo. O saudosismo e a nostalgia como ferramentas ideológicas estão patentes, mas isso eles nunca saberão porque mataram as ciências sociais. 

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"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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