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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

08
Jan16

Marcelo, o Professor da Nação.

Se António Salazar surgisse hoje não viria com o mesmo discurso nem com o mesmo programa. Surgiria atualizado, seria produto de um contexto e de um tempo, exatamente como o foi. Nesse sentido, ninguém encarna melhor a imagem de um Salazar do séc. XXI do que Marcelo Rebelo de Sousa. Não quero, com isto, afirmar que MRS é um ditador em potência. Longe disso. O que afirmo é que ele encarna o conservadorismo português, o paternalismo presidencial, pensado ao séc. XXI. Não é como Cavaco Silva, um político que era uma herança do Estado Novo e que se debatia entre os mundos do pré e do pós-25 de abril. MRS não é nada disso. O mesmo não representa nem pretende representar o velho paradigma do "pai da nação". Ele é um homem que gozou de um tempo de antena e visibilidade mediática únicos, tendo sido um verdadeiro one man show no comentário do telejornal, com espaço para dizer e desdizer, dar o dito por não dito, mas sempre com a inteligência e a conivência mediática de quem foi construindo uma imagem de "Professor da Nação". MRS fez do seu espaço de comentário o seu auditório da faculdade, encenando e representando uma peça que o conduziu precisamente aqui - ao candidato presidencial, pretensamente apartidário, que rejeita (por não precisar) uma campanha de visibilidade pública. Rejeitando, precisamente, aquilo que já tem. O seu paternalismo tornado professoral teve a maior das conivências mediáticas, construindo-lhe a imagem de "O Professor" que entra lares a dentro para dar lições como pensar, o que ler, o que gostar. É o Professor simpático, extrovertido q.b., que faz dos portugueses seus alunos. É o único português que merece a distinção de "professor". Qualquer outro cidadão em espaços televisivos é tratado pelo nome, exceto Marcelo.  Ser o “Professor da Nação” é um lugar santo, a que somente Marcelo foi lícito almejar. É, por tudo isto, que não votarei nele.