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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

06
Nov14

Merkel e os Licenciados.

Angela Merkel afirma que Portugal, tal como Espanha, possui elevado número de licenciados e que é essencial promover outro tipo de formação, nomeadamente o técnico-profissional. Em rigor, Portugal tem vindo a subir o índice de licenciados, mantendo-se, contudo, ainda assim, afastado da média europeia. Este facto deveria ser apresentado à chanceler alemã, pois que um líder europeu deveria munir-se de informação precisa antes de proferir declarações erróneas. Mas isso, sabe-se, é um mal de que padece a classe. 

Não obstante a veracidade dos factos, há razão nas palavras da mais odiada política europeia. Aqui, como na sua própria casa, vivemos uma realidade em que possuir uma licenciatura é como ter ido à escola básica. Na necessidade de sobrevivência financeira as universidades abriram as portas a alunos fracos e licenciaturas há que permitem a entrada com média negativa. A estas juntaram-se as privadas de menor reputação que aproveitaram a onda do financiamento bancário e de euforia da adesão à CEE (ao caso português, leia-se) para abrirem cursos e convidarem famílias ao sonho de uma vida melhor para os seus. Nada contra os sonhos e esperanças das famílias em verem os seus filhos ascenderem socialmente. Nada mesmo. Não há coisa pior para uma sociedade que uma estratificação clara e hermética; modelo que aliás se vem agora recuperando e impondo. O que foi, então, nefasto foi esta abertura desmedida do Ensino Superior aos molhos de alunos cuja capacidade para a formação universitária era e é, no mínimo, duvidosa. 

Posto isto recorde-se que em Portugal tempos houve que a formação técnico-profissional era de excelência. O ensino industrial formava pessoal altamente qualificado de onde os melhores saíam para a formação em engenharias e afins, com um saber prático altamente devotado para o mercado de trabalho. A adesão à CEE assassinou a indústria portuguesa e com ela a formação prática. 

Neste contexto é, então, facto que temos demasiados doutores. Hoje se necessitarmos de um eletricista, de um canalizador, ou de outro profissional similar é mais do que provável que teremos diante de nós ou um imigrante ou alguém que saído de uma nova fornada de profissionais ensinados à pressa para mostrar à UE que já há uma nova geração formada no ensino técnico-profissional. O meu pai, não há muito tempo, tendo sido visitado por um desses técnicos constatou que este não sabia pegar numa chave de fendas, muito menos resolver o problema. A culpa não é dele, entenda-se. É todo este desvario entre o universitário em excedente e a solução às "três pancadas" do técnico-profissional, muito na linha do ditado "casa roubada trancas à porta". 

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