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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

05
Jun17

O Combate ao Terrorismo

"Conhecido das autoridades", assim são descritos, invariavelmente, os autores dos ataques terroristas. Na base estão denúncias à linha de combate ao terrorismo da polícia britânica. O dedo é sempre apontado: as autoridades, avisadas, de dentro da comunidade islâmica, nada fizeram. Esta situação coloca-nos num cenário delicado, em que as autoridades não têm competência para atuar com base em comportamentos tendenciais, apenas podendo agir perante atos, ou seja, depois do atentado ou tentativa de atentado. Como combater, então, este problema? A solução mais óbvia, apresentada pela extrema-direita europeia é a expulsão dos muçulmanos da Europa. A Esquerda contesta, e bem, que esta medida se baseia na violação dos direitos humanos, da salvaguarda do direito à mobilidade, do dever da integração e das mais-valias do multiculturalismo. Ficamos, portanto, num impasse. Ou não. Correndo o risco de ofender as "religiões do Livro", baseadas num princípio de detenção da verdade e de intenções prosélitas, seja a "boa nova", seja a "verdadeira doutrina", parece possível atuar preventiva se o proselitismo fosse proibido. Naturalmente que o primeiro pensamento que ocorre é que tal medida condiciona a liberdade religiosa. Mas não o faz. Visto de outro prisma, a proibição do proselitismo é, em primeiro lugar, o garante do direito de consciência e o fim da legitimação de discursos de «autenticidade religiosa», assegurando o direito aos cidadãos de não serem abordados com a tentativa de conversão religiosa. Que impacto isto tem no radicalismo islâmico no Ocidente? Não resolvendo o problema, permite que tentativas de sedução para a causa sejam alvo de punição legal, particularmente se a proibição do proselitismo for associada a correntes fundamentalistas. Ora, sabendo que o Islão não é uma religião de abordagem direta de conversão, será mais fácil mapear atividades proto-terroristas pela via do proselitismo.