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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

19
Abr16

O novo velho Brasil é o amanhã

A imprensa portuguesa demorou para olhar este processo revolucionário brasileiro como aquilo que ele é: um golpe de Estado. As tendências conversadoras dos órgãos de comunicação social portugueses foi névoa sobre os olhos dos seus membros. As ligações do PT a casos de corrupção configuram um cenário problemático. O termo de posse emitido por Dilma a Lula, evitando a sua prisão conferem uma áurea nada positiva ao governo brasileiro, enfraquecendo a legitimidade governativa sob o altar das fidelidades. Mas o pano de fundo deste golpe não é, de modo algum, a corrupção que terá gerado um desgaste governativo de Dilma Rousseff. Esse é um problema estrutural dos sucessivos governos brasileiros. No panorama da corrupção o PT figura como um partido que roubou com uma mão e deu com a outra, tirando milhões de pessoas da pobreza, promovendo a mobilidade social, a escolaridade para todos, a abertura religiosa, a reparação cultural face às tradições ameríndias e africanas. E é, precisamente, aí que reside o problema. O governo que, eventualmente, se segue, liderado por Eduardo Cunha com o apoio de criminosos como Jair Bolsonaro, será um governo que roubará com as duas mãos, para dentro de um bolso das elites políticas e sociais brasileiras, em favor da reposição do status quo histórico brasileiro - demarcada segregação racial e fosso social entre ricos e pobres. A mobilidade social tem sido entendida como um cancro pelas classes altas e médias conversadoras brasileiras. Negros na Universidade, em empresas e outras funções de visibilidade económica, política, cultural e social, atentam contra o ideal dos golpistas. Ademais, o fator religioso não pode ser descorado. O golpe em marcha pretende não apenas reforçar a separação racial e repor a ordem de dominação branca como ainda visa estabelecer uma teocracia evangélica. O projeto de branqueamento social e cultural brasileiro está de volta.