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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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22
Jan16

Primavera marcelista e concursos de popularidade

Anthony Broh, num clássico trabalho de 1980, falava das eleições americanas de 1976, opondo Carter e Ford, como uma corrida de cavalos enfatizada pela cobertura jornalística. Em Portugal nenhuma eleição presidencial assumiu contornos de circo de variedades, corrida de cavalos e concurso de popularidade como as presentes. Domingo termina uma campanha que muito pouco edificou a democracia portuguesa, que pouco soube ser um debate de ideias, que nada teve de seriedade. Sampaio da Nóvoa, eminente académico português, é a segunda grande figura destas presidenciais, lutando contra o tempo e contra o desconhecimento generalizado, captando cada vez mais eleitorado de classe média e garantindo a preferência dos académicos portugueses. Maria de Belém fez da sua pequenez física a sua pequenez política, estando ausente do mais importante debate televisivo e vendo-se a braços com a questão das subvenções vitalícias que fez questão de reivindicar como um direito. Vitorino Silva, conhecido como Tino de Rans, o candidato nonsense que teve rasgos de sentido de Estado, mas que apesar de se afirmar como o "candidato do povo", verá o povo virar-lhe as costas em massa, seduzidos pelo único candidato teve uma década de campanha em horário nobre, que se tem esquivado ao confronto político, que agrada a todos nem agradar particularmente a ninguém - pela via das dúvidas é o candidato do "nim" -, e que tornou a campanha eleitoral na paródia que esta tem sido, com total conivência e elevação dos meios de comunicação social. A leveza de espírito do "senhor simpático da televisão" que nos entra sala a dentro para nos ensinar a pensar e dizer o que devemos ler não é um modelo que irá adotar após as eleições. Desenganem-se os que esperam ter em Marcelo Rebelo de Sousa o presidente bonacheirão que foi o candidato Marcelo. Mas como as eleições se tornaram num concurso de popularidade, a faixa de "Senhor Simpatia" parece que será entregue a Marcelo, o "Professor", deixando para trás o académico Sampaio da Nóvoa ("Professor" só para alguns com brio jornalístico), não sem antes os não-alinhados terem uma palavra a dizer. A fragmentação da esquerda é clara e favorece Marcelo numa primeira volta, mas poderá ser fatal numa segunda. Os portugueses irão decidir se teremos uma nova «primavera marcelista». 

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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