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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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28
Jan16

Refugiados: dilemas de uma eterna Europa

No início tudo era humanismo, braços abertos e corações nobres. Angela Merkel dizia "venham, venham", com o mesmo entusiasmo com que Fernando Ulrich dizia que o povo português "ai aguenta, aguenta" a austeridade. Mas como tudo o que é lírico depressa passa, como o nevoeiro quando o sol espreita ou como as paixões mais platónicas que as expressas por Platão. É tudo muito bonito até deixar de o ser. Quando a realidade dos refugiados embate nas utopias tudo se transforma e o humanismo dissolve-se nas dificuldades quotidianas. Polónia, Hungria, Dinamarca, Suécia. Dos arames ao confisco de bens, passando pela expulsão em massa, gestos de uma velha Europa em que a poeira da memória regressa no sopro do vento. O passado está ali, nunca saiu das esquinas da nossa bela Europa. Os movimentos de extrema-direita nunca foram erradicados. Há vilas nazis na Alemanha, há claques de futebol na Ucrânia e Polónia de pendor ultra-nacionalista e ariano. O caldo sociológico derivado da crise dos refugiados é propício, ainda para mais quando no embalo dos que procuram a democracia vêm os que procuram a guerra contra a democracia e o modelo social civilizacional ocidental e os que trazem por bagagem a imposição dos seus valores e a mais profunda dificuldade de acomodação social, de que os acontecimentos na noite de passagem do ano são caso paradigmático. A Europa enfrenta o desafio da escolha na encruzilhada entre o passado e o humanismo, mas acima de tudo o desafio de não extremar posições. A crise dos refugiados é um problema estrutural e de fundo. Não há um maniqueísmo válido neste cenário. Nem vítimas nem agressores, nem "nós contra eles", nem apenas corações nobres ou almas gentis.  

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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