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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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29
Ago17

O Facebook e o recreio da escola

 O recreio da escola, enquanto espaço de socialização por excelência, veicula, fortemente, valores comunitários, conceções sociais estruturantes como preconceitos, estereótipos e padrões comportamentais de excelência e de perigo. É um espaço de contaminação, de circulação de ideias, slogans sociais, modelações comportamentais, de soundbites e construção de clusters, em que se vão vestindo catalogações como dreadsnerds, preppy, entre outras. Nesse sentido assemelha-se ao Facebook,  com todas as suas lógicas silenciosas de ocupação de espaço, de construção de solidariedades, de amizades, de inimizades, de pretensões, de anti-status quo, de fabricação de marginalidades. Num e noutro cenário. Dificilmente não nos lembraremos daquele tipo borbulhento e estranho meio solitário, ou do rapaz vestido com roupa herdada de um tio, do cocho, do "caixa de óculos", do gordo, enfim, dos descamisados do mainstream, todos aqueles tipos que até podiam ser extremamente simpáticos, mas com os quais ninguém queria ser visto conviver, também no Facebook há quem leia muito este ou aquele mural, sem jamais fazer um like, não vá "o diabo tece-las" e ser visto pela "malta fixe" a cair no erro social de dar uma palmada nas costas no tipo menos popular do liceu.

02
Set13

Dois Meses sem Facebook: conclusões.

Passei os últimos dois meses sem postar o que quer que fosse no Facebook. Deixei que a plataforma respira-se e fiz, com interesse, a experiência do vazio na mais popular rede social. Dois meses sem deitar ideias ou qualquer mensagem, a depositar o vício da escrita apenas no blogue, mas também a observar os murais alheios e a refletir sobre o mundo azul da perspetiva não-participante, ou nos termos de Vargas (2002) de participação-observação, na medida em que para observar é preciso fazer parte.

O que se torna claro, à medida em que vamos fazendo uma desintoxicação do Facebook, é o quão relativo este é, o quão pouco importa para a vida ela mesma, se optarmos por viver em vez de e-viver. Isto porque, em última análise, os amigos estão sempre à distância de um abraço ou de uma mensagem pelo telemóvel. No fundo, admita-se, o Facebook tornou-se uma ferramenta cujo enfoque não é quebrar barreiras na interação com quem nos é próximo mas numa verdadeira arma na promoção do "eu", como bem denotam Milito et. al.No fundo, o que está em causa é uma supravalorização do quotidiano próprio na experiência alheia, mesclada ao voyeurismo próprio da interação humana -- ser para mostrar, mostrar o que se quer promover.
adenda: o Arrumadinho fala sobre a infelicidade que o Facebook gera.

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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