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⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

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19
Jun17

O abraço de Marcelo

Há quem condene o abraço de Marcelo ao secretário de estado da administração interna. Para mim o gesto é resultado do reconhecimento do turbilhão emocional que o SE se prestou ao passar estas 48 horas no coração da tragédia. O que Marcelo Rebelo de Sousa encontrou foi um ser humano sem chão perante a tragédia alheia. A humanidade vive dos gestos sociais, para bonecos de corda já bastaram os anos do Cavaquismo.

03
Mai17

Marcelo do povo

Nunca como agora um PR foi tão popular no sentido específico de representação simbólica do «povo». Apesar da herança política e social de Marcelo Rebelo de Sousa e do seu património estético de direita, no imaginário popular, em virtude dos seus périplos pelo país, as suas passeatas governativas, o PR é percebido como um D. Quixote das causas populares, um Zorro. É por isso que em Almeida, por causa do encerramento da dependência da CGD, o povo espera a intervenção presidencial. 

17
Mar16

O beija-mão presidencial.

 Nada impede que Marcelo Rebelo de Sousa seja católico, ou que fosse de outra qualquer religião, ou até, que na linha da New Age fosse mais espiritualista do que religioso. Mas já me preocupa que a agenda presidencial de Marcelo se inaugure com uma visita ao Vaticano. Este primeiro ato internacional do Presidente da República, culminado com um confessional beija-mão, aporta-nos a um tempo em que cabia ao Vaticano ratificar a figura régia de uma monarquia europeia. O mito da laicidade do Estado Português é feito evidência neste gesto. Não basta Marcelo ter convidado uma série de representantes religiosos para na Mesquita Central de Lisboa rezar pela paz. Essa plurividência presidencial esbarra com um tão grande ato político de veiculação religiosa. Não é o Marcelo cidadão, é Marcelo Presidente da República num beija-mão confessional. Espere-se por um 13 de Maio político. 

22
Jan16

Primavera marcelista e concursos de popularidade

Anthony Broh, num clássico trabalho de 1980, falava das eleições americanas de 1976, opondo Carter e Ford, como uma corrida de cavalos enfatizada pela cobertura jornalística. Em Portugal nenhuma eleição presidencial assumiu contornos de circo de variedades, corrida de cavalos e concurso de popularidade como as presentes. Domingo termina uma campanha que muito pouco edificou a democracia portuguesa, que pouco soube ser um debate de ideias, que nada teve de seriedade. Sampaio da Nóvoa, eminente académico português, é a segunda grande figura destas presidenciais, lutando contra o tempo e contra o desconhecimento generalizado, captando cada vez mais eleitorado de classe média e garantindo a preferência dos académicos portugueses. Maria de Belém fez da sua pequenez física a sua pequenez política, estando ausente do mais importante debate televisivo e vendo-se a braços com a questão das subvenções vitalícias que fez questão de reivindicar como um direito. Vitorino Silva, conhecido como Tino de Rans, o candidato nonsense que teve rasgos de sentido de Estado, mas que apesar de se afirmar como o "candidato do povo", verá o povo virar-lhe as costas em massa, seduzidos pelo único candidato teve uma década de campanha em horário nobre, que se tem esquivado ao confronto político, que agrada a todos nem agradar particularmente a ninguém - pela via das dúvidas é o candidato do "nim" -, e que tornou a campanha eleitoral na paródia que esta tem sido, com total conivência e elevação dos meios de comunicação social. A leveza de espírito do "senhor simpático da televisão" que nos entra sala a dentro para nos ensinar a pensar e dizer o que devemos ler não é um modelo que irá adotar após as eleições. Desenganem-se os que esperam ter em Marcelo Rebelo de Sousa o presidente bonacheirão que foi o candidato Marcelo. Mas como as eleições se tornaram num concurso de popularidade, a faixa de "Senhor Simpatia" parece que será entregue a Marcelo, o "Professor", deixando para trás o académico Sampaio da Nóvoa ("Professor" só para alguns com brio jornalístico), não sem antes os não-alinhados terem uma palavra a dizer. A fragmentação da esquerda é clara e favorece Marcelo numa primeira volta, mas poderá ser fatal numa segunda. Os portugueses irão decidir se teremos uma nova «primavera marcelista». 

08
Jan16

Marcelo, o Professor da Nação.

Se António Salazar surgisse hoje não viria com o mesmo discurso nem com o mesmo programa. Surgiria atualizado, seria produto de um contexto e de um tempo, exatamente como o foi. Nesse sentido, ninguém encarna melhor a imagem de um Salazar do séc. XXI do que Marcelo Rebelo de Sousa. Não quero, com isto, afirmar que MRS é um ditador em potência. Longe disso. O que afirmo é que ele encarna o conservadorismo português, o paternalismo presidencial, pensado ao séc. XXI. Não é como Cavaco Silva, um político que era uma herança do Estado Novo e que se debatia entre os mundos do pré e do pós-25 de abril. MRS não é nada disso. O mesmo não representa nem pretende representar o velho paradigma do "pai da nação". Ele é um homem que gozou de um tempo de antena e visibilidade mediática únicos, tendo sido um verdadeiro one man show no comentário do telejornal, com espaço para dizer e desdizer, dar o dito por não dito, mas sempre com a inteligência e a conivência mediática de quem foi construindo uma imagem de "Professor da Nação". MRS fez do seu espaço de comentário o seu auditório da faculdade, encenando e representando uma peça que o conduziu precisamente aqui - ao candidato presidencial, pretensamente apartidário, que rejeita (por não precisar) uma campanha de visibilidade pública. Rejeitando, precisamente, aquilo que já tem. O seu paternalismo tornado professoral teve a maior das conivências mediáticas, construindo-lhe a imagem de "O Professor" que entra lares a dentro para dar lições como pensar, o que ler, o que gostar. É o Professor simpático, extrovertido q.b., que faz dos portugueses seus alunos. É o único português que merece a distinção de "professor". Qualquer outro cidadão em espaços televisivos é tratado pelo nome, exceto Marcelo.  Ser o “Professor da Nação” é um lugar santo, a que somente Marcelo foi lícito almejar. É, por tudo isto, que não votarei nele. 

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

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