Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

⊙ A Morada dos Dias

{ Horizontes. Olhares. Rumos Cruzados. Palpitações. Compassos dos Dias. }

21
Jun17

125 Azul

 

"Foi sem mais nem menos que um dia selei a 125 Azul", assim diz a canção dos Trovante com que cresci, cruzando essa estrada, rumo ao Verão da Costa Alentejana, onde fui imprimindo memórias, camadas de recordações e vivências, da infância à idade adulta. E com a soma dos dias visitou-me o desejo de "sem mais nem menos" selar a 125 azul, assim, no repente do instante. E foi ontem, na celebração dos afetos de 15 anos, o peso de um tempo que não senti, que fui levado, nas correias dos amores, até ao coração das lembranças, aos cheiros, à brisa que da água sobe, aos sons, aos lugares que se mutaram e aos que se mantiveram, e é assim que a vida tem mais cor, que vai para além da soma dos dias e se faz sentir. E não resta a quem vive senão agradecer a quem faz viver. 

 

{fotografia de Sandra Fialho}

13
Jun17

Jogos sem fronteiras

 

Em finais da década de 1980, inícios de 1990, os Jogos Sem Fronteiras animavam as noites do começo de Verão, já para lá da época escolar, na RTP1. Muitas vezes era preciso um grande esforço para me manter acordado para ver JSF, uma luta por vezes inglória, perdida para o cansaço da praia. Tratavam-se de jogos engraçados, muitas vezes co-apresentados por senhoras que ficavam a sorrir para a câmara, de microfone na mão, e a narrar somente os pontos. Peculiaridades à parte, os JSF ajudaram a construir uma ideia de Europa que hoje é agredida. Ao lado do Europeu de Futebol, os JSF foi o meu primeiro horizonte nesse sentimento de união geográfica e além linhas entre Portugal e a Europa.

30
Nov15

Avô

Nenhum de nós se recorda, nem ele com os seus 87 anos, nem eu com os meus 31, da última vez que esteve toda a família reunida. De entre os socalcos abertos no rosto pela idade, as lágrimas e sorrisos abriram-se. As marcas de 87 anos vividos estão estampadas no corpo que se curva. Ao lado da companheira de sempre, sentados na mesa da cozinha, deliciam-se com um bolo, porque em dias como estes "perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe". Muitos dos familiares não os via há anos, são outras pessoas, envelhecidas, como eu, mas que já estão longe da imagem que guardei da infância. O tempo foge e nada permanece. Hoje são apenas adultos, somos todos. Não me são indiferentes, nenhum deles. São rostos com história, uma história que se cruza com a minha. E isso é bastante, é o quanto baste. Nenhum sabe exatamente como interagir com o outro, entre meia dúzia de recordações, fotografias dos novos membros da família, um uníssono "parabéns a você". Todos nos despedimos, entre nós, dos anciães. Volto atrás e vejo-o de lágrimas nos olhos. Dou-lhes um beijo na testa a cada, e vou com o coração preenchido, porque neste dia fomos todos por um, por ele. 

25
Ago14

A Nostalgia Abrupta.

O acumular dos dias vai atirando-nos para as memórias com mais veemência. Há sempre cada vez mais cheiros, aromas ou brisas que nos vão recordando mais coisas, que nos vai bailando no imenso campo da vida. Não há muito de poético em ver o tempo fugir como um rio nebuloso que não nos mostra o horizonte, e a pressa que nos habita no alto da infância é agora olhada como marco de uma inocência que não se recupera. Ter celebrado, recentemente, 30 anos, significou um dobrar de uma esquina inesperada. Longe vai o tempo que os 30 eram uma miragem de uma idade adulta e incompreensível. Hoje, enquanto o Canal Hollywood passava o filme Karaté Kid, apercebi-me de que o tempo passou depressa demais. Foi como se fosse ontem que coloquei o VHS pela enésima vez no leitor de cassetes do quarto dos meus pais e me atirei para cima da cama, com o fato de karaté vestido e um pacote de bolachas. À velocidade de um sopro as memórias voltaram de forma mais abrupta, como se vivesse eternamente o ontem. Temo que chegue depressa demais o tempo de perceber com mais dor a franqueza das palavras de Mário Quintana: «Antes todos os caminhos iam. Agora todos os caminhos vêm. A casa é acolhedora, os livros poucos. E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.»

"E naquela casa, que ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias".

Email | Blog Académico | Página Pessoal 

OS MEUS LIVROS

p-imdv.jpg

O livro está disponível para download aqui. COVER ULHT.JPG O livro está disponível para download aqui O livro está disponível para aquisição aqui O livro está disponível para aquisição através do email correio@cpcy.pt

UNS TANTOS