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A quebra de relações entre Portugal e Angola, independentemente dos fatores em causa, servem de bandeja os pretextos africanos de deslocamento do paradigma da lusofonia para o eixo afro-brasileiro. Há, na sociedade angolana e no próprio governo, um sentimento de nostalgia e afrotropicalismo em relação ao Brasil. A história da constituição do Brasil enquanto país e retalho de identidades nacionais, entre a Casa Grande e a Senzala, não está independente de um Atlântico, sem dúvida, negro. Os contributos africanos para a brasilidade e a experiência diaspórica como produtora de narrativa para a africanidade autóctone fazem "da Costa" uma geografia de partilha. Portugal, neste trânsito, foi produtor e agente. Nesta teia de afro-brasilidade as tradições afro-brasileiras pesam cada vez mais nas relações internacionais. Infelizmente as potencialidades do elemento não têm sido realmente balizadas.   A literatura brasileira, a Capoeira e as manifestações religiosas e culturais como o Candomblé, o Frevo ou o Maracatu são forte apelo na África lusófona. O afrotropicalismo tenderá, creiam-me, a substituir a lusofonia. Portugal não tem sabido explorar as potencialidades históricas deste eixo, numa altura em que as ciências socias portuguesas começam a ter know-how na matéria e em que se produz uma luso-afro-tropicália própria. É uma pena, sem dúvida. 

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