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A Morada dos Dias

{ E naquela casa, que já ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias }

Ainda a gaguez de Joacine

Novembro 05, 2019

Somente a direção do Livre poderá decidir se a gaguez de Joacine configura ou não um problema no desempenho das suas funções como deputada. E a própria. Afinal de contas, o que interessa à direita que um partido de esquerda não "consiga" transmitir a sua mensagem? Nada. Aliás, no quadro do jogo político, tanto melhor que não consiga. Alguém duvida que o PSD e o CDS rejubilariam se António Costa ficasse afetado nas suas capacidades comunicacionais? Por isso, o que incomoda às vozes mais críticas não é a gaguez, mas a diferença. Por fim, quando a discussão permanece no nível do biológico temos um problema de substância. É urgente parar de discutir Joacine ou a saia do assessor para começar a discutir as ideias do Livre. Mesmo para o Livre, manter Joacine Katar Moreira como símbolo, na qualidade de mulher, negra, gaga, revela-se uma fonte esgotável como recurso político, além de continuar a objetificar os sujeitos, o que é, precisamente, o contrário do desejado. Uma candidatura que pretendia subverter o status quo não pode cair nas armadilhas de, na ânsia de inverter da norma social, a reproduzir às avessas. Já se deveria ter passado da fase "o que é Joacine", para "o que pensa o Livre, nas mais diversas matérias". Este circo em torno da pessoa, de uma ideia de um partido tornado em microcausa, e não do programa político, não é nada abonatório, nem para a deputada nem para a Democracia.