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A Morada dos Dias

{ E naquela casa, que já ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias }

Da Questão Cigana

Junho 30, 2020

Chamar à atenção do racismo estrutural não significa tornar as minorias agentes passivos da história, significa, isso sim, salientar que as suas circunstâncias sociais e económicas são condicionadas por forças invisíveis que agem ab initio, desde o seu nascimento. Quando alguém, numa empresa, coloca um CV para o lado a partir da classificação étnica de um candidato está a) a ser racista, b) a contribuir silenciosamente para o racismo estrutural.

No caso dos indivíduos de etnia cigana, chamar à atenção da necessidade de políticas públicas de inserção social e fomento escolar, cujos efeitos são lentos em virtude de um histórico de perseguição e segregação, não significa negar os problemas correntes derivados das falhas de inserção. Os casos de violência, como o mais recente registado em Benavente, provam a urgência tanto de políticas públicas quanto da ação judicial. Nada fazer é abrir terreno para o Chega e outros movimentos radicais, e com eles para as soluções de segregação e genocídio utilizadas no passado. Este problema em particular (a questão cigana) não se resolve nem pela via da justiça popular ou da justiça populista, nem pela negação da necessidade de ação judicial e desresponsabilização total dos agressores. É de tal natureza minuciosa que precisa de reforço democrático, não do contrário.

Cólofon

A Morada dos Dias é um blogue de João Ferreira Dias, escrito segundo o Acordo Ortográfico, de publicação avulsa e temática livre. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.