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O Estado dos Dias

«O dia precedente é o mestre do dia seguinte.» - Píncaro

Fardas e Fardados

21
Nov22
A questão do ódio racial nas forças de autoridade não é de somenos importância, nem deve ser tratada de ânimo leve. Precisamos ter presente, em primeiro lugar, que se trata de agentes armados e com o monopólio da violência no espaço público, em nome do Estado. Nesse sentido, é preciso ter absoluta confiança no cumprimento do dever e no respeito pelos cidadãos e os seus direitos. Isto significa, quer queiramos ou não, formar bons agentes, e isso passa por um investimento que começa nas escolas e academias e acaba na qualidade das instalações, segurança laboral e condições salariais.

Portanto, o número de agentes ligados a discursos e crenças racistas, misóginas e outros preconceitos é um problema estrutural, não pela quantidade, mas antes pela questão do monopólio da violência e porque reflete um problema de fundo nas sociedades ocidentais: o ressentimento e o estigma são ferramentas de autosatisfação e pertença, porque se baseiam num ódio a um outro que se encontra abaixo na escala social.

É, pois, necessário consciencializar os agentes da situação de pobreza e semelhança por parte de muitas pessoas dos bairros carenciados. Isto não significa que os agentes não devam atuar. Devem. Devem deter quem não cumpre a lei. Mas devem agir, também, de modo proporcional e com sensibilidade, não com base em preconceitos e ódios prévios.

Assim, tão urgente quando purgar as forças de autoridade destas pessoas é garantir condições dignas para o exercício da profissão, formando bons agentes. Porque a ideia de um Estado sem forças de segurança pública é uma utopia.