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O Estado dos Dias

05.05.22

Na década de 1990, diante da escalada populista do CDS de Paulo Portas, Daniel Oliveira chegou a defender um cordão sanitário em torno do partido. Do cordão sanitário ao lamento pelo seu desaparecimento parlamentar fizemos um caminho próprio da democracia plural.
Quando olhamos o programa ideológico e o modus operandi do CDS da época reconhecemos a quase coincidência com o Chega, um partido populista, nacionalista-liberal, em tudo idêntico ao modelo da maioria dos partidos europeus da sua família política que em alguns países chegaram ao poder sem derrubarem a democracia. Empobrecendo-a, eventualmente, através de uma clivagem social por si promovida, mas não a destruindo, graças à solidez das instituições.
É por isso que sempre me opus a ilegalizar o Chega, por mais que não me reveja nas suas ideias e as considere perigosas para o consenso político e harmonia social. Nesse capítulo concordo com Riccardo Marchi de que não faz sentido falar em normalização de um partido que não é anormal nas democracias atuais, entendendo, contudo, que os partidos populistas emergem por falhanço do mercado e do neoliberalismo em garantir um bem estar alargado.
Por isso, ainda mais firme estou de que não tem fundamento ilegalizar o PCP, partido fundamental na nossa democracia e que apesar das suas posições pouco compreensíveis em política externa, sempre foi um defensor do Estado de Direito democrático e dos direitos económicos, sociais e culturais dos cidadãos. Não basta a questão ucraniana (que não é tão simples como parece, mas é certamente fácil escolher o lado) para se justificar essa proposta.

 

Cólofon

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