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A Morada dos Dias

{ E naquela casa, que já ninguém conhecia a idade, era como se os dias não fossem dias }

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/ o racismo estrutural /

Setembro 20, 2019

Quase compreendo o argumento de Helena F. Matos a propósito das máscaras étnicas. E digo quase porque à primeira vista não ocorre nenhum mal em nos mascararmos de outras identidades étnicas. Até porque a máscara opera no sentido de permitir experimentar uma personagem, uma identidade que é diferenciada daquela que assumimos no quotidiano. Ela pode ser, inclusive, uma exaltação (uma personagem histórica), uma tara (no caso das performances BDSM) ou reflexo heróico (um super-herói). Então qual é o problema das máscaras étnico-raciais? Coloquemos um cenário: um homem negro mascarado de homem branco representado como um nerd. A primeira reacção é a do racismo invertido que pretende estereotipar os homens brancos, explicitando uma visão distorcida da realidade. Certo. Ora, não só é o caso das máscaras étnicas de chineses, ameríndios, etc., como é importante adicionar a essas estereotipias a herança histórica do darwinismo cultural e do determinismo racial para compreender que existe ali uma carga de violência simbólica que poderíamos não notar à primeira. É verdade que não havendo dolo o cenário se dilui. Todavia, numa altura em que se regressa uma forte representatividade social dos radicalismos de extrema-direita, é importante voltar a olhar com zelo para os significados dos gestos, esperando que a humanidade regresse a um estágio de desenvolvimento e democratização tal que permita a visibilidade positiva das vozes silenciadas, tornando obsoletas preocupações sobre preconceito, racismo e xenofobia.