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Ouvir música é um salto profundo nas notas, nas possibilidades de abrir os vidros no carro e deixar a melodia escapulir-se, de mergulhar nos pensamentos do compositor. Em particular quando a música possui alguma espuma que a torna densa e capaz de se eternizar. Com o jazz. Por essa razão é tão sedutor imaginar as gerações de 1960 e 1970 em torno do vinil. No Portugal do Estado Novo, ouvir música importada, trazida no reboque de um viajante, era um gesto político de liberdade. O encontro com outros mundos e possibilidades que a música dava representavam as esperanças de um outro amanhã, alimentando novos horizontes em gerações que ansiavam pelo futuro. Hoje, depois da aurora de Abril, vivemos aqui, pelo arrasto das marés americanas globalizadas, um tempo de gerações sem lutas, sem ventres de esperanças, mergulhadas em seguidores, likes, apps, e um imenso vazio de sonhos. Volta o vinil, voltam as calças de ganga subidas, os ténis brancos enormes e espaciais, todo um mercado da nostalgia, menos a nostalgia das lutas. Os punhos de ordem ocupam-se das selfies. 

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